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Autarca de Viana diz estranhar protestos dos Sapadores e destaca trabalho feito

O presidente da Câmara de Viana do Castelo afirmou que se sente bem com a sua consciência em relação ao trabalho feito nos Bombeiros Sapadores e manifestou “estranheza” face aos protestos sindicais e de alguns efetivos.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião do executivo, José Maria Costa admitiu que “nenhuma organização é perfeita” mas sublinhou que a Câmara tem tido uma preocupação e atenção constantes “para que as coisas vão melhorando”.

“É com alguma estranheza que eu vejo esta movimentação [protestos]. Temos sido sensíveis (…) e solícitos em relação a reivindicações que nos parecem justas e que, naturalmente, vamos sempre aperfeiçoando”, referiu o autarca.

No dia de ontem, o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) promoveu uma concentração frente à Câmara de Viana do Castelo, para contestar recentes declarações de José Maria Costa sobre a formação ministrada aos Sapadores e sobre uma eventual tentativa de assalto ao poder subjacente aos protestos registados nos últimos tempos.

A coordenadora regional do STAL, Ludovina Sousa, disse que as 2.000 horas de formação anunciadas pelo autarca foram concentradas em apenas um terço do efetivo.

A sindicalista disse ainda que “fica muito mal” ao autarca relacionar os protestos com um eventual assalto ao poder na corporação, lembrando que é ao presidente da Câmara que compete nomear o comandante dos Sapadores.

“Cai por terra a insinuação maldosa do presidente”, referiu, acrescentando que José Maria Costa “teima em ignorar os bombeiros e as suas queixas”.

“Está a prazo, dentro de meses termina o mandato, mas a responsabilidade por atos e omissões vai atrás dele para além do mandato”, avisou Ludovina Sousa.

Sem se referir diretamente à manifestação de hoje, José Maria Costa destacou o trabalho “muito importante” que tem vindo a ser feito nos Sapadores “em conjunto com os sindicatos”.

“Estamos sempre disponíveis para fazer melhor, mas sinto-me bem com a minha consciência”, disse.

Aludiu, desde logo, à imediata atualização salarial quando os bombeiros municipais passaram a Sapadores, que se traduziu num aumento médio de mais de 300 euros.

“Tínhamos sete anos para fazer a transição financeira, podia ser gradual, mas fizemo-la logo em 2020, para todos os bombeiros”, referiu.

Destacou ainda os cursos de promoção, que podiam ter sido feitos por fases mas que foram igualmente para todos, e o concurso para uma terceira recruta para mais 11 sapadores, lançado precisamente ontem.

José Maria Costa destacou também as mais de 2.000 horas de formação e os investimentos na renovação do parque automóvel e na requalificação e ampliação das instalações.

O STAL anunciou recentemente uma ação em tribunal contra o comandante dos Bombeiros Sapadores de Viana do Castelo, por alegadas “práticas que consubstanciam verdadeiros atos de discriminação e assédio moral e laboral”.

José Maria Costa respondeu que, “face à gravidade” da denúncia, vai participar o caso ao Ministério Público, por entender que aquelas afirmações do STAL, não correspondendo à verdade, “podem consubstanciar um crime de difamação, pondo em causa o bom nome do município de Viana do Castelo e da companhia dos Bombeiros Sapadores”.