PSD questiona ministra do Mar sobre “injustiças sociais” causadas por parque eólico flutuante ao largo de Viana

A deputada do PSD eleita pelo Alto Minho Liliana Silva informou hoje ter questionado a ministra do Mar sobre “injustiças sociais” causadas pelo projeto do parque eólico flutuante, a instalar ao largo de Viana do Castelo.

No requerimento, a deputada do PSD refere “não colocar em causa a relevância e pertinência” do projeto, mas solicita a intervenção de Ana Paula Vitorino “no sentido de mitigar injustiças que possam vir a ser cometidas para com os pescadores locais”.

“A sustentabilidade de algumas empresas ligadas à pesca poderá ficar em risco por não poderem utilizar a área marítima de abrangência deste parque eólico e limítrofes e, por outro lado, poderá ocorrer a sobrecarrega de armadores noutras zonas mais a norte e a sul do parque”, especificou Liliana Silva.

Em causa está um projeto de uma central eólica ‘offshore’ (no mar), em Viana do Castelo, orçado em 125 milhões de euros, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis, e que integra o parceiro tecnológico Principle Power, a Repsol, a capital de risco Portugal Ventures e a metalúrgica A. Silva Matos.

Segundo Liliana Silva, “até à data de hoje, foram feitas negociações entre a EDP Renováveis e o Governo com 16 armadores da associação de pescadores de Viana do Castelo, no sentido de os indemnizar dos prejuízos que terão por ficarem impossibilitados de operarem na área relativa ao parque eólico”.

“Parece-nos estranho que não tenham sido chamados à mesa das negociações os restantes pescadores de outras associações desta área. As águas não são divisíveis, portanto existem armadores de Caminha, Vila Praia de Âncora e Esposende que também têm a devida licença para esta área e não foram chamados à mesa das negociações”, sublinhou.  

De acordo com a deputada do PSD, “os armadores destas três zonas são penalizados duplamente, pois não são indemnizados por não poderem exercer a sua atividade naquele local e ainda por cima terão, futuramente, de ver as áreas que mais utilizam sobrecarregadas com os armadores que, impossibilitados de pescarem junto ao parque eólico, terão de exercer a sua arte mais a norte ou a sul”.

Fonte: Lusa