“Há desejos que podem ser os últimos. Há pedidos que gostamos de satisfazer.” Foi com esta frase que a empresa Ambulâncias do Lethes, de Ponte de Lima, partilhou nas redes sociais um momento especial: a visita de um idoso acamado à Praia Norte, em Viana do Castelo, num período particularmente delicado da sua vida.
O pedido partiu da filha, que contactou a empresa para perceber se seria possível levar o pai até à praia, numa altura em que o seu estado de saúde se encontrava a deteriorar-se. O homem, de 78 anos, tinha manifestado aos filhos o desejo de voltar a ver o mar.
“É evidente que aceitámos o serviço de uma forma muito especial”, explica Artur Oliveira à Altominho TV, recordando que, inicialmente, os contactos com a família tinham sido motivados por outras deslocações, nomeadamente ao Hospital de Braga, à Segurança Social e ao Hospital de Viana do Castelo, sem que os profissionais soubessem, numa primeira fase, que se tratava da mesma família.
A visita foi realizada com o homem transportado em maca, acompanhado pela esposa e pela filha. Já na Praia Norte, juntaram-se também outro filho, a nora e os netos, num momento familiar marcado pelas recordações e pela emoção.
“A Praia Norte era o local onde faziam as férias em família e que lhes trazia várias recordações”, conta, acrescentando que a filha ficou “super feliz e emocionada” com a resposta à publicação nas redes sociais, que motivou várias mensagens e telefonemas de apoio.
A família manifestou ainda a sua gratidão pelo serviço prestado e pela possibilidade de concretizar um desejo que, perante a fragilidade do estado de saúde do homem, ganhou um significado especial.
“Não deixa de ser uma situação emocionalmente gratificante. Estamos presentes nestes pedidos especiais”, sublinha Artur Oliveira, que reconhece o impacto emocional de acompanhar pessoas em situações de doença grave e os respetivos familiares.
“Temos tido outros serviços que nos deixam emocionalmente afetados, porque vivenciamos muito de perto o sofrimento de algumas pessoas e familiares”, acrescenta.
Uma atividade marcada por histórias de vida
Apesar de ser uma empresa recente, que assinalou três anos de atividade em agosto, a Ambulâncias do Lethes afirma procurar, desde o início, estar disponível para ajudar em situações de carácter social, dentro das suas possibilidades.
A empresa começou com os dois sócios e conta atualmente com mais um trabalhador, admitido este ano. A possibilidade de contratar mais uma pessoa está também em análise, numa fase em que procura consolidar o crescimento da atividade.
A frota é constituída por quatro viaturas em operação, segundo a empresa, estando outra a aguardar licenciamento por parte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Os meios incluem três viaturas de transporte de doentes em que não é necessária maca, uma ambulância de maca e uma viatura destinada ao transporte de pessoas em cadeira de rodas.
Para os responsáveis, o trabalho vai muito além das deslocações. O acompanhamento prolongado de alguns utentes, ao longo de semanas ou meses, permite conhecer de perto as suas histórias, dificuldades e percursos de vida.
“Acabamos por ser psicólogos dos utentes e dos familiares”, reconhece Artur, referindo-se à proximidade criada durante os transportes e ao contacto com pessoas confrontadas com doenças graves ou crónicas, muitas vezes numa fase da vida em que esperavam poder desfrutar da reforma.
É neste contexto que a Ambulâncias do Lethes destaca a importância da disponibilidade, da dedicação e da dimensão humana do serviço. Neste caso, o transporte até à Praia Norte permitiu concretizar um desejo pessoal e proporcionar à família um momento de partilha e de recordação num período particularmente difícil.
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