O Alto Minho vai contar com um Pólo Arqueológico de escala supramunicipal, destinado a acolher, conservar, estudar, valorizar e divulgar espólios arqueológicos dos dez municípios que integram a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho). A futura infraestrutura ficará instalada no Lote 60 do Parque Empresarial da Praia Norte, num espaço cedido pelo Município de Viana do Castelo.
O projeto resulta de um desafio lançado pela CCDR Norte, em parceria com a CIM Alto Minho, com o objetivo de criar uma estrutura partilhada para a gestão do património arqueológico da região. Segundo António Barbosa, presidente da CIM Alto Minho, o espaço disponibilizado reúne condições para assumir uma função de referência na valorização do património arqueológico do território.
A infraestrutura não será apenas destinada ao armazenamento de peças. O arqueólogo Miguel Costa explicou que o objetivo passa por criar condições para a gestão, conservação, estudo e valorização do património, concentrando no mesmo local espólios que os diferentes municípios decidam entregar. A intenção é também facilitar a investigação, a produção de conhecimento e a sua posterior partilha com a comunidade.
O projeto prevê diferentes áreas distribuídas por dois pisos. No piso inferior haverá espaços de armazenamento e exposição, uma área multimédia, zonas de trabalho, balneários e instalações sanitárias. No piso superior estão previstos espaços de estudo, áreas destinadas à academia e aos visitantes, gabinetes e laboratórios.
Uma das componentes específicas será uma cápsula de tratamento de pirogas monóxilas, com um tanque destinado à sua submersão em líquidos específicos durante o processo de conservação. De acordo com a memória descritiva do projeto, a solução será instalada no exterior devido às exigências relacionadas com o controlo da temperatura e com as condições ambientais necessárias ao tratamento destas embarcações.
A empreitada tem um valor base de 1,230 milhões de euros. Em julho, o Município aprovou a abertura do concurso público, as respetivas peças e a nomeação do júri para a execução do Pólo de Arqueologia. A previsão apontada é de 365 dias para a realização da obra, seguindo-se cerca de um ano para o apetrechamento do espaço, estando a abertura prevista para daqui a aproximadamente dois anos.
Durante a sessão pública integrada nas Jornadas Europeias do Património 2026, foi também assinada uma Declaração de Compromisso para a Cooperação entre o Município e a Escola Superior de Educação da Universidade Politécnica de Viana do Castelo. O acordo prevê colaboração científica e pedagógica, participação de docentes, investigadores e estudantes, bem como apoio na divulgação das iniciativas.
O futuro polo pretende ainda contribuir para a digitalização, inventário e acesso aos espólios arqueológicos, criando condições para a investigação e para a mediação junto da comunidade. O projeto prevê igualmente a utilização de tecnologias digitais na divulgação do património e a sua valorização cultural e turística.
A iniciativa pretende, assim, criar uma estrutura comum aos dez municípios do Alto Minho, reforçando a capacidade de conservação e estudo do património arqueológico e promovendo a produção de conhecimento sobre a história e o território da região.
Foto: DR










