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Confinamento na Galiza visa estimular consumo interno

O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) do Rio Minho considerou que o confinamento anunciado pela Junta da Galiza visa estimular o consumo interno, e lembrou que Portugal também aplicou restrições à circulação entre concelhos portugueses.

“Esta decisão destina-se a estimular o consumo interno. Para os galegos comprarem na Galiza, porque as medidas previstas no confinamento anunciado não são mais, nem menos, as que já estão em vigor em Portugal relativamente à proibição de circulação entre concelhos”, afirmou esta quarta-feira à Lusa o diretor daquele agrupamento europeu.

Contactado pela Lusa, Fernando Nogueira classificou de “normal” a decisão do Governo Regional da Galiza de decretar um confinamento entre as 12h01 de sexta-feira, 4 de dezembro, e a mesma hora de quarta-feira, dia 9, para restringir a mobilidade com território português.

“Havendo restrições de circulação entre os concelhos portugueses, entre os dias 4 e 9, a medida adotada pelo Governo da Galiza é recíproca à adotada em Portugal para o mesmo período. Nestes fins de semana prolongados nenhum português pode passar para a Galiza. E os galegos fazem o mesmo em relação a Portugal. É normal”, referiu.

Fernando Nogueira, que é também presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, acrescentou que “sendo uma medida muito penalizadora, não representa um acréscimo de restrições para os residentes em território continental”.

“Lamentamos que assim tenha de ser, e apesar de parecer que haja uma ligeira inflexão dos níveis epidemiológicos, a situação ainda justifica o controlo para evitar retrocessos nesta evolução favorável”, observou.

Constituído em fevereiro de 2018, e com sede em Valença, o AECT Rio Minho abrange um total de 26 concelhos: os 10 municípios do distrito de Viana do Castelo que compõe a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho e 16 concelhos galegos da província de Pontevedra.

Segundo fontes do executivo galego citadas pela agência Efe, esta decisão é adotada porque o comité clínico considera prioritário restringir a mobilidade com Portugal, dada a alta incidência de casos de Covid-19 em território português.

O Governo Regional informou o executivo de Madrid que “não é oportuno fazê-lo [o confinamento] por partes”, pelo que será decretado o encerramento de toda a comunidade.

O presidente da Xunta [o Governo Regional galego], Alberto Núñez Feijóo, já tinha anunciado na manhã de quarta-feira que iria estabelecer “restrições de mobilidade” com Portugal a partir de sexta-feira, altura em que começa o levantamento das restrições mais apertadas aplicadas há três semanas.

Na sua intervenção, Núñez Feijóo tinha já sublinhado que as limitações de mobilidade com Portugal, através das províncias de Ourense e Pontevedra, poderiam implicar ter que decretar o encerramento total da Galiza.

A Xunta considerou inicialmente que não era necessário o encerramento de toda a Galiza, já que o território galego se encontraria limitado nas deslocações durante o fim de semana de feriado devido aos confinamentos das Astúrias e Castela e Leão. No entanto, finalmente optou pelo encerramento de todo o perímetro da comunidade, ao abrigo do decreto real do estado de emergência do Governo central espanhol, que permite aos presidentes regionais adotarem medidas neste sentido.