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Norte de Portugal e Galiza insistem em mais passagens para trabalhadores

O vice-diretor do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho insistiu hoje na necessidade de abertura de novas passagens na fronteira entre o Norte de Portugal e a Galiza para “aliviar” os “prejuízos” causados aos trabalhadores transfronteiriços”.

“Este é um constrangimento enorme. Não queremos que seja um aliviar das medidas de segurança de saúde pública, mas se elas são garantidas com a fronteira entre Valença e Tui, também entendemos ser possível com a abertura de mais dois a três novos pontos de passagem noutros locais, ainda que limitados no tempo, de manhã e à tarde, para a passagem destes trabalhadores transfronteiriços. Aliviaria muito as nossas relações comerciais e empresariais“, afirmou, hoje à Lusa, Fernando Nogueira.

As fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha vão continuar encerradas até às 00h00 de 15 de junho devido à pandemia da doença covid-19, segundo a resolução de Conselhos de Ministros publicada, na quarta-feira, em Diário da República.
O controlo das fronteiras terrestres com Espanha está a ser feito desde as 23h00 do dia 16 de março em nove pontos de passagem autorizada devido à pandemia de covid-19, e terminava às 00h00 de quinta-feira este controlo.

No distrito de Viana do Castelo o único ponto de passagem autorizado é o que liga a cidade de Valença a Tui, na Galiza.

Questionado hoje, à margem da apresentação do Plano Operacional Distrital no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais/2020, o responsável adiantou que o AECT Rio Minho já alertou os Governos dos dois países para o que considerou ser uma situação “muito dramática” para os municípios raianos.

A nossa luta é que seja no mínimo feita uma abertura para os trabalhadores transfronteiriços que esses são extremamente prejudicados. Uma médica que mora em La Guardia e vem trabalhar, todos os dias, para o hospital de Viana do Castelo faz mais 80 quilómetros de manhã e outros 80 quilómetros à tarde.

Uma cabeleireira que mora em Arbo e que tem o seu local de trabalho em Melgaço faz mais 80 a 100 quilómetros duas vezes por dia. Há imensos exemplos de trabalhadores. Nós aqui na raia somos quase uma família”, apontou o vice-presidente do AECT Rio Minho, em representação da CIM do Alto Minho.

Constituído em fevereiro de 2018 e com sede em Valença, no distrito de Viana do Castelo, o AECT Rio Minho abrange um total de 26 concelhos: os 10 municípios do distrito de Viana do Castelo que compõe a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho e 16 concelhos galegos da província de Pontevedra.

Fernando Nogueira, que é também presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira que, juntamente com o município de Tomiño, formam uma eurocidade, defendeu ainda a necessidade de que, “logo que possível, seja garantido um desconfinamento, gradual e simultâneo, nos dois lados da fronteira para que, efetivamente, a economia possa retomar a sua atividade”.

O pequeno comercio, a restauração, não conseguem retomar se não tiverem esta relação. Nós vivemos claramente virados para a Galiza. Neste momento não é o caso porque agora todos os equipamentos municipais estão fechados, mas em Vila Nova de Cerveira não me valeria ter a piscina municipal a funcionar porque mais de 60% dos utentes vêm do outro lado do rio“, sublinhou.

Fernando Nogueira acrescentou ser “absolutamente fundamental criar condições” para que aquela região transfronteiriça “deixe de ter a fronteira que durante muitos anos a limitou e que, com a Europa comunitária, tinha dado a facilidade de relacionamento”, entre os dois povos vizinhos.
“Agora voltou a existir este malfadado muro de Berlim”, lamentou.