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Iniciada classificação de antiga colónia agrícola em Paredes de Coura

A Direção-Geral do Património Cultural abriu hoje o procedimento de classificação da antiga colónia agrícola da Boalhosa – núcleo de Vascões, em Chã de Lamas, Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo.

De acordo com o anúncio hoje publicado em Diário da República (DR), a classificação, proposta da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), enquadra-se na lei n.º 107/2001, de 08 de setembro, que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural.

O procedimento agora iniciado poderá determinar a classificação da antiga colónia como património de interesse nacional ou de interesse público.

A antiga colónia agrícola de Vascões, que António Salazar mandou moldar na paisagem rural de Chã de Lamas nos anos 1950, é um exemplar do modernismo português em Paredes de Coura.

A última de sete colónias agrícolas que mudaram a paisagem rural de Portugal data do final da década de 1950. O modelo de reestruturação agrária do país foi criado por decreto, em 1948, durante o Estado Novo, e replicado no Norte e Centro do país.

No Alto Minho, o plano inicial da Junta de Colonização Interna apontava para um total de mais de 672 hectares, abrangendo Arcos de Valdevez, Monção e Paredes de Coura, mas foi neste último concelho que o projeto avançou para o terreno. 

A colónia de São Martinho de Vascões, a mais de oito quilómetros do centro da vila de Paredes de Coura, ganhou vida em 1957, com a chegada dos primeiros colonos.

A ex-colónia situa-se em pleno núcleo megalítico de Chã de Lamas, constituído por duas mamoas. Aqueles vestígios “atestam a presença humana, na zona, desde sempre”.

Em 2016, a Câmara de Paredes de Coura aprovou uma Área de Reabilitação Urbana (ARU) para aquela zona rural, para “promover a remodelação das habitações que integram aquele conjunto de acordo com as características originais”.

Mais avançado está o processo de classificação como sítio de interesse nacional/monumento nacional do povoado fortificado de Cossourado, ou Forte da Cidade, no lugar do Forte da Cidade, União das Freguesias de Cossourado e Linhares, concelho de Paredes de Coura, e no lugar do Monte da Cividade, freguesia de Sapardos, concelho de Vila Nova de Cerveira.

De acordo com o anúncio hoje publicado em Diário da República, a Direção-Geral do Património Cultural informa que o processo, iniciado em 2013, entra agora em fase de consulta pública durante 30 dias úteis.

“As observações dos interessados deverão ser apresentadas junto da DRCN, que se pronunciará num prazo de 15 dias úteis”, refere o anúncio hoje publicado 

Segundo informação que consta do sítio na internet da DRCN, hoje consultada pela Lusa, a “Cividade do Cossourado está situada numa área particularmente abundante em monumentos arqueológicos e, à semelhança dos restantes povoados de altura da Idade do Ferro, inseridos no contexto da denominada cultura castreja, este castro ergue-se de forma bastante destacada, com um forte domínio sobre a paisagem envolvente”.

Trata-se de “um povoado com uma área ocupacional de aproximadamente dez hectares, dotado de um sistema defensivo constituído por três linhas de muralha construídas em material pétreo da região”.

As “campanhas arqueológicas conduzidas no local permitiram identificar várias estruturas domésticas, de planta circular, retangular e elíptica, no recinto delimitado pelo troço de muralha interno, como sucede, aliás, na maioria dos povoados da mesma tipologia e cronologia”.

Entre o material recolhido no local encontram-se “fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro, mós manuais, artefactos de bronze e pesos de rede, num testemunho claro das atividades económicas que dominariam o quotidiano da sua população”.

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