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Pais procuram três crianças para evitar encerramento da escola de Vilar de Mouros

Pais e encarregados de educação de Vilar de Mouros, no concelho de Caminha, estão a mobilizar-se para encontrar três crianças que permitam assegurar o número mínimo de matrículas necessário para a abertura de uma turma do Jardim de Infância (JI) no próximo ano letivo, numa tentativa de evitar o eventual encerramento da Escola Básica e Jardim de Infância da Torre. O apelo, que tem sido divulgado através de panfletos e das redes sociais, surge numa altura em que o processo de matrículas ainda decorre.

Em declarações à agência Lusa, Joana Fernandes, de 37 anos, mãe de duas crianças que frequentam a escola, explicou que faltam três inscrições para atingir o número mínimo de dez alunos exigido para a constituição da turma de Jardim de Infância. “Por causa de três matrículas há a possibilidade de não abrir a turma de Jardim de Infância. E, se não abrir, a Escola Básica acaba também por fechar. É uma perda muito grande”, afirmou, destacando as condições oferecidas pelo estabelecimento de ensino, nomeadamente cantina, atividades de enriquecimento curricular e transporte escolar gratuito.

A preocupação é partilhada por outras famílias. Tânia Carrilho, mãe de uma criança de cinco anos com necessidades especiais, manifestou receio perante a possibilidade de encerramento da escola. “Ela vive na mesma rua da escola, já está habituada às auxiliares, à educadora e aos colegas. Teria de começar tudo de novo”, referiu à Lusa, admitindo esperar que ainda seja possível evitar essa situação.

Segundo Joana Fernandes, atualmente estão inscritas sete crianças no Jardim de Infância e cinco no ensino básico. A encarregada de educação considera que a reduzida oferta de emprego na freguesia e a deslocação das famílias para outras localidades contribuem para a diminuição do número de alunos. Defende ainda o alargamento das atividades de enriquecimento curricular ao pré-escolar, considerando que essa medida poderia tornar a escola mais atrativa para as famílias.

A mobilização da comunidade tem contado com a distribuição de folhetos informativos porta a porta, destacando as valências da escola, e com campanhas nas redes sociais. O presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, José Maria Barros, reconheceu à Lusa a preocupação existente e afirmou que a autarquia local tem promovido iniciativas para captar novos alunos. “Já fizemos reuniões para angariar crianças, temos publicitado. Mais do que isso não podemos fazer”, referiu.

Contactada pela Altominho TV, a vereadora da Educação da Câmara Municipal de Caminha, Ana Rocha, sublinhou, contudo, que ainda não existem condições para retirar conclusões definitivas sobre o funcionamento da escola no próximo ano letivo. “O processo de matrículas decorre de acordo com o calendário legalmente estabelecido, encontrando-se ainda em curso”, explicou, acrescentando que, nesta fase, apenas existe informação parcial relativa às novas matrículas para o Jardim de Infância.

A responsável acrescentou que a autarquia está a acompanhar o processo em articulação com os serviços competentes e com o Agrupamento de Escolas de Caminha, aguardando a conclusão de todas as matrículas e a consolidação da informação oficial relativa aos vários níveis de ensino. “Qualquer afirmação nesta altura sobre o futuro da Escola de Vilar de Mouros seria prematura e assente em dados incompletos”, afirmou Ana Rocha, garantindo que serão prestados esclarecimentos públicos assim que o processo estiver concluído e existam dados oficiais consolidados.

Até ao momento, o Agrupamento de Escolas de Caminha ainda não divulgou informação oficial sobre a eventual manutenção ou encerramento da Escola Básica e Jardim de Infância da Torre no próximo ano letivo.