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Mais de 80 pessoas identificam prioridades e desafios para a futura Reserva da Biosfera do Rio Minho

Mais de 80 pessoas participaram, em Tui, na iniciativa “O Minho que imaginamos”, que recolheu contributos da população para a candidatura à criação de uma Reserva da Biosfera Transfronteiriça. A biodiversidade, o património e a cooperação entre Portugal e Espanha estiveram entre os valores destacados, mas também foram identificados desafios ambientais e de gestão.

A dinâmica decorreu a 23 de outubro, no âmbito da sessão pública “Objetivo Reserva da Biosfera do Rio Minho Transfronteiriço”, promovida pelo projeto europeu ECOFRONT_MINHO. O encontro reuniu representantes de instituições, da comunidade científica, do setor económico e do movimento associativo, bem como habitantes das duas margens do rio.

Coordenada pela Fundación CEER, a iniciativa convidou os participantes a identificar os elementos que consideram mais importantes preservar, os benefícios esperados de uma futura Reserva e os obstáculos que poderão dificultar a sua concretização.

Entre os valores mais referidos estiveram a biodiversidade, a geomorfologia, o Rio Minho e os seus afluentes, a paisagem, o património material e imaterial e as pesqueiras tradicionais. Foram também salientadas a presença de espécies autóctones ameaçadas, a importância dos habitats naturais e a riqueza das formações graníticas e fluviais.

No plano cultural, os contributos destacaram as tradições locais, a língua, o Caminho de Santiago, os vestígios arqueológicos e a arquitetura tradicional, sublinhando a ligação entre as comunidades e o território.

Conservação e desenvolvimento sustentável entre as expectativas

A conservação dos ecossistemas, a valorização do património e a criação de oportunidades económicas foram apontadas como alguns dos benefícios que a futura Reserva poderá proporcionar. Os participantes defenderam o reforço da proteção de espécies e habitats, a melhoria da qualidade da água e o controlo das espécies invasoras.

A iniciativa identificou também expectativas relacionadas com a valorização dos recursos locais, incluindo produtos agroecológicos e atividades económicas compatíveis com a utilização sustentável dos recursos naturais. A futura Reserva poderá ainda contribuir para reforçar a cooperação entre as duas margens, nomeadamente na proteção ambiental, na gestão das pescas e na articulação com associações e instituições.

A maior visibilidade do território, tanto a nível ambiental como económico, foi igualmente apontada como uma oportunidade.

Poluição e governação entre as principais preocupações

Os contributos recolhidos evidenciaram, contudo, vários desafios. Entre as preocupações ambientais foram referidas a poluição dos habitats fluviais, a presença de atividades industriais pesadas e a expansão de espécies exóticas e invasoras.

A definição dos limites territoriais da futura Reserva foi outro dos aspetos assinalados, tendo os participantes defendido a necessidade de considerar a diversidade da região e garantir uma delimitação coerente.

A governação transfronteiriça também levanta questões, devido à existência de diferentes enquadramentos legislativos em Portugal e Espanha, à multiplicidade de entidades envolvidas e à necessidade de assegurar a participação efetiva das comunidades nos processos de decisão.

Uma das preocupações identificadas foi a de que o reconhecimento internacional não se traduza apenas numa declaração formal. Os contributos salientaram a importância de concretizar medidas, investimentos e ações capazes de responder às necessidades do território e promover o seu desenvolvimento sustentável.

Contributos vão integrar relatório territorial

As propostas recolhidas através do mural “O Minho que imaginamos” vão contribuir para a elaboração de um relatório territorial destinado a apoiar a preparação da candidatura à futura Reserva da Biosfera do Rio Minho Transfronteiriço. O documento deverá integrar as expectativas, os conhecimentos e as preocupações das comunidades locais.

A sessão incluiu ainda a apresentação do vídeo de lançamento do ECOFRONT_MINHO, uma mensagem de António Domingos Abreu, diretor da Divisão de Ciências Ecológicas e da Terra da UNESCO e secretário do Programa sobre o Homem e a Biosfera (MaB), a apresentação dos avanços do estudo territorial por Martín Agrelo, da Universidade de Santiago de Compostela, e a partilha de experiências de outras Reservas da Biosfera da Península Ibérica.

O ECOFRONT_MINHO é cofinanciado pela União Europeia, através do programa Interreg VI-A Espanha–Portugal (POCTEP) 2021–2027, e reúne entidades portuguesas e espanholas com intervenção na cooperação transfronteiriça e no desenvolvimento territorial.

Foto: DR