O presidente da Confederação Empresarial do Alto Minho (CEVAL), Luís Ceia, criticou ontem a distribuição nacional das verbas do Programa de Cooperação Espanha-Portugal Interreg (POCTEP) e lançou um “repto” à ministra da Coesão Territorial para corrigir a situação.
“Estes programas de cooperação transfronteiriça devem, acima de tudo, apoiar as regiões de fronteira. Se olharmos para o mapa de Portugal, 93% do território tem direito a aceder a este programa, ou seja, só fica de fora a Região Metropolitana de Lisboa. Não me parece, de todo, que seja correto”, afirmou Luís Ceia, naquela que classificou de nota de “preocupação” que fez questão de assinalar.
O presidente da CEVAL, que discursava em Ponte de Lima, na sede da Comunidade Intermunicipal (CIM9 do Alto Minho, na sessão de encerramento do projeto Alto Minho 4.0, na presença de Ana Abrunhosa, disse que o Interreg V-A Espanha-Portugal (POCTEP), lançado para a cooperação transfronteiriça dentro do espaço europeu, em Espanha, é o programa com maior dotação financeira, quase 299 milhões de euros do FEDER, a fundo perdido”.
“Não posso deixar uma nota que nos preocupa a todos. Entendemos que estes programas de cooperação transfronteiriça devem, acima de tudo, apoiar as regiões de fronteira, mais próximas e mais densificadas, se o objetivo é que cumpra o seu desígnio”.
Na sua intervenção, o presidente da CEVAL, que representa cerca de 5000 empresas do Alto Minho que empregam mais de 19000 trabalhadores, Luís Ceia deixou ainda uma nota de “contestação” que se prende com a recente constituição, em Vigo, na Galiza “do primeiro Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) económico do Norte de Portugal e da Galiza, numa parceira entre a Confederação Empresarial do Alto Minho e a Câmara de Comércio de Tui.
“É a primeira entre associações. Normalmente, esta é uma figura jurídica usada por consórcios internacionais, onde participam tanto empresas de diferentes países que tenham de operar num determinado cenário”, disse, referindo que o objetivo do novo agrupamento passa por acompanhar “toda a corda do rio Minho, desde Caminha até Melgaço, no sentido de incentivar à cooperação empresarial de proximidade”.
Já o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho, Manoel Batista, sublinhou à ministra Ana Abrunhosa a importância da transferência do conhecimento para as várias áreas empresariais.
“Será essencial para o novo horizonte que nos espera”, observou o socialista, realçando também “a importância das ligações transfronteiriças, rodoviária ou outras”.










