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Mais de 50% de 74 empresas do Alto Minho preveem aumentar vendas e contratar

A Confederação Empresarial do Alto Minho (Ceval) indicou hoje que mais de metade das 74 empresas que responderam a um inquérito realizado este ano espera aumentar as vendas ou prestação de serviços nos próximos três meses.

O estudo, que decorreu entre junho e agosto e envolveu 350 empresas, conclui que “também na contratação há sinais de dinamismo, com 51,4% das empresas participantes a admitirem recrutar trabalhadores nos seis meses seguintes”.

O inquérito promovido pela Ceval “aponta para expectativas positivas nas vendas, investimento e emprego, apesar da pressão dos custos, da carga fiscal e das dificuldades de recrutamento”.

“São dados que dão esperança apesar do período de incertezas em que vivemos. Dão algum ânimo. O estudo também retrata os constrangimentos de recrutamento, quer pela escassez, quer pela falta de qualificação”, afirmou hoje à Lusa o presidente da Ceval.

Luís Ceia acrescentou que essa tendência vai continuar pela falta de oferta formativa adequada às necessidades reais das empresas e pela carga burocrática e administrativa, o chamado imposto escondido”.

O inquérito permitiu concluir ainda que, “nas vendas, 53,4% das empresas preveem um aumento nos próximos três meses, enquanto 31,5% esperam manter o atual nível de atividade e 15,1% antecipam uma redução”.

Nos três meses anteriores ao inquérito, 43,2% tinham registado um aumento das vendas ou da prestação de serviços e igual percentagem referiu uma situação de estabilidade”.

A avaliação da situação atual das empresas é também maioritariamente favorável, com 44,6% a classificam-na como boa e, 40,5% como satisfatória, enquanto 14,9% consideram a situação difícil, indica.

As “perspetivas positivas não afastam, contudo, alguns dos problemas que continuam a marcar a atividade empresarial”, apontando o “aumento dos custos de produção e funcionamento” como o constrangimento mais referido, por 44,6% dos participantes, seguindo-se a carga fiscal, com 41,9%, e as dificuldades em contratar trabalhadores, com 36,5%.

Apesar destes obstáculos, 263,5% das respostas apontam para a realização de investimento nos seis meses seguintes, em áreas como equipamentos e maquinaria, instalações, digitalização e tecnologia, eficiência energética, internacionalização ou qualificação dos trabalhadores”.

Também no emprego os resultados mostram intenção de reforçar equipas, com 51,4% das empresas a preverem contratar trabalhadores, sendo os perfis operacionais, de produção e os técnicos especializados os mais procurados”.

Entre “as empresas que identificaram necessidades de recrutamento, 45,7% apontam para profissionais operacionais ou de produção e 43,5% para técnicos especializados”.

A “contratação é, ao mesmo tempo, uma das áreas em que persistem maiores dificuldades. A falta de candidatos (…) surge como o principal problema, seguida da falta de experiência profissional e das qualificações técnicas insuficientes”, refere.

Quando escolhem novos trabalhadores, “as empresas dizem valorizar sobretudo a experiência profissional, referida por 41,7% dos participantes, os cursos profissionais com 31,9%, seguindo-se o ensino secundário e a licenciatura”.

Entre as competências mais valorizadas destacam-se a responsabilidade, mencionada por 78,4% das empresas, o trabalho em equipa, com 67,6%, e a capacidade de resolução de problemas, com 54,1%.

Sobre medidas consideradas mais relevantes para apoiar as empresas do Alto Minho, das 74 empresas que responderam ao inquérito, 43,1% apontam o acesso a financiamento e incentivos, 41,7% destacam as ações de formação e 36,1% referem o apoio à digitalização.

O “apoio à contratação e recrutamento, a captação e retenção de talento e a internacionalização surgem igualmente entre as necessidades identificadas”.

Os resultados deste inquérito “servirão de apoio ao acompanhamento da realidade empresarial da região e à preparação de iniciativas ajustadas às necessidades identificadas”.

A Ceval é uma Associação Privada sem Fins Lucrativos de Utilidade Pública, fundada a 05 de junho de 1998. Representa cerca de 5.000 empresas de todo o distrito de Viana do Castelo que empregam mais de 19.000 trabalhadores.

Foto: DR