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Autarca de Viana do Castelo pede suspensão da campanha devido à pandemia

O presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa, apelou hoje à suspensão das campanhas dos candidatos às eleições presidenciais de domingo, face à evolução do número mortes e internamentos associados à covid-19.

“Como responsável político, começo a ter dificuldade em entender a continuação desta campanha e tenho obrigação de apelar ao respeito pela vida e pelos que estão a sofrer. Situações excecionais precisam de decisões excecionais”, afirma o autarca socialista, citado numa nota de imprensa.

Para José Maria Costa, “neste momento, os portugueses estão já devidamente esclarecidos das suas opções de voto”.

“Para o cidadão comum e para os familiares enlutados ou com os seus entes queridos em situação de risco de vida ou em tratamento, começa a ser difícil de aceitar que, nos meios de comunicação social e, logo após reportagens sobre o seu sofrimento, surja uma campanha eleitoral que, muitas vezes, ultrapassa aquilo que é o sentido cívico de esclarecimento necessário em democracia para raiar o insulto ou a deselegância”, observou.

De acordo com o autarca, tal “não é compaginável, de todo, com a situação atual do país”.

Para o responsável, “a evolução no número de óbitos registada e que, só hoje, ultrapassa as duas centenas, e dos milhares de portugueses internados nos hospitais de todo o país, é uma situação grave deve merecer todo o respeito e, acima de tudo, a compreensão e apoio a todos os familiares e entes queridos dos afetados pela pandemia”, reforça.

“O país está a sofrer profundamente, com milhares e milhares de pessoas que estão a dar o seu melhor no Serviço Nacional de Saúde (SNS), outros que estão a sofrer profundamente e que não conseguem fazer o seu luto adequadamente”, reforçou.

“Não se entende que se continue a fazer campanha eleitoral como se nada estivesse a passar-se. Apelo, pois, ao bom senso e ao sentido de humanidade de todos os candidatos para que suspendam a campanha e respeitem os que estão a ser vítimas desta implacável pandemia”, defendeu.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena pandemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para domingo.

Esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.058.226 mortos resultantes de mais de 96,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 9.465 pessoas dos 581.605 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.