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Peça encenada por António Capelo em Viana do Castelo quer interrogar elenco e público

A peça “Falar verdade a mentir”, de Almeida Garrett, que se vai estrear em Viana do Castelo é um “duplo” exercício de formação de elencos e de públicos que pretende “questionar” o papel de ambos, disse hoje o encenador.

António Capelo, encenador do espetáculo que vai abrir, na segunda-feira, o festival de teatro de Viana de Castelo, defendeu que os públicos devem começar a ter “uma atitude mais ativa” e “exigente” sobre a programação a que querem ter acesso e os elencos a “ter um reportório adequado ao público que o frequenta”.

“Temos de começar a colocar os públicos numa atitude mais ativa e menos passiva.

Sem ser só chegar, sentar, observar e ir embora. É preciso que participem mais ativamente. Nem que seja olhando e interrogando-se sobre a programação que querem”, afirmou.

“Será que os públicos querem que isto possa evoluir? Será que isto pode ser interessante para a sua própria evolução e exigência”, questionou o encenador.

António Capelo, que falava hoje aos jornalistas no final de um ensaio para a imprensa, na sala principal do teatro Sá de Miranda, adiantou que além dos públicos, o “exercício” pretende a “interrogação interna” dos elencos.

“Será que um personagem para mentir o ator tem de estar a ser verdadeiro? É esta duplicidade do que é o teatro e a verdade. Porque eu não concebo que o teatro seja a vida. O teatro é a maneira como nós olhamos para vida”, referiu.

“Temos de ter opinião sobre o que estamos a fazer. Essa opinião interessa ao público? É isso que colocamos à discussão. Se não interessar é porque não somos bons. É uma espécie de dialética que se quer criar aqui, nesta relação que é muito gira, entre a plateia e o palco” afirmou.

A nova produção Teatro do Noroeste – CDV vai estrear-se na abertura do Festival de Teatro de Viana do Castelo, na segunda-feira, às 21:00, devido à obrigatoriedade de encerramento dos espaços culturais às 22:30.

Depois da estreia no festival de teatro, a peça, com interpretação de Alexandre Martins, Alexandre Calçada, Tiago Fernandes, Ana Perfeito, Elisabete Pinto e José Escaleira, voltará a estar em cena em dezembro.

O festival que decorrerá até dia 18 vai apresentar 15 espetáculos, em dois espaços do Teatro Sá de Miranda, cumprindo as normas de prevenção da covid-19.

O “Pequeno Retábulo”, de García Lorca, pelo Teatro das Beiras, e o “O Último Julgamento”, de Ricardo Alves, apresentado pelo Teatro Regional da Serra de Montemuro, são outras as peças incluídas no programa.

O festival vai ainda apresentar “O Sítio”, da Companhia da Chanca, de André Louro e Catarina Santana, e a Companhia de Teatro de Braga apresentará “A Criatura”, a partir de Henrik Ibsen.

Nas noites de 14 e 15 de novembro, a companhia A Turma apresenta “Alma”, de Tiago Correia, e o Teatro da Terra “A Ermelinda do Rio – Nocturno”, de João Monge, com Maria João Luís, um percurso pela devastação das cheias do Tejo, na década de 1960, num espetáculo onde a memória se confirma sempre presente.

Com duas sessões marcadas para o dia 15, o Teatro Plage apresenta “Lullaby”, um espetáculo para bebés da autoria de Paulo Lage.

O programa inclui ainda os espetáculos, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, sobre Jorge Amado, pelo Teatro do Noroeste – CDV, “Silêncio” pela companhia Um Coletivo, resultante da residência artística em O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, e “Veneno”, de Claudia Lucas Chéu, pelo Teatro Nacional 21, com direção de Albano Jerónimo.

A quarta edição do festival termina com os Bonecos de Santo Aleixo, pelo CENDREV – Centro Dramático de Évora.