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Produção de conversores de energia das ondas prevista para 2024 em Viana do Castelo

A empresa tecnológica CorPower Ocean apontou hoje para 2024 o início da comercialização dos primeiros conversores de energia das ondas produzidos em Viana do Castelo, culminando um projeto iniciado em 2012 num investimento de 52 milhões de euros.

“No total, o programa [designado por HiWave-5], representa um investimento de 52 milhões euros. Terminará no primeiro quadrimestre de 2024, sendo que, nessa altura, deveremos ter confirmadas encomendas suficientes para investirmos na fase seguinte: a produção em massa”, afirmou hoje Miguel Silva, representante em Portugal da tecnológica sueca.

O responsável, que falava aos jornalistas à margem de uma reunião de trabalho promovida pela Câmara de Viana do Castelo com empresas e entidades ligadas ao setor das energias renováveis, adiantou estarem em curso “as fases quatro e cinco do projeto.

“Estamos a provar a tecnologia para, depois, a tornarmos comercializável, permitindo que os produtores acedam a financiamentos e desenvolvam os projetos que irão complementar, outras fontes de energias renováveis”, especificou.

Segundo Miguel Silva, em 2024, se as “encomendas prometidas” se confirmarem, a empresa irá avançar com a construção, em Viana do Castelo, de uma fábrica de produção de conversores da energia das ondas.

A CorPower Ocean está a investir 16 milhões de euros na construção de centro de Investigação e Desenvolvimento (I&D), no porto de mar da capital do Alto Minho.

A criação daquele centro resultou de um acordo estabelecido com Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) e deverá estar concluído até final de novembro.

Miguel Silva adiantou que nesse centro, que empregará 15 trabalhadores “altamente qualificados”, será produzido, em 2021, “o primeiro equipamento em escala real, capaz de produzir 300 kilowatts de energia”, a ser “instalado na Aguçadoura, ao largo da Póvoa de Varzim, para a realização de testes”.

“Em 2022, serão instalados mais três equipamentos, na mesma zona, para no conjunto dos quatro ultrapassarmos a meta de 1.2 megawatts de energia a ser gerada. Queremos tirar partido dos cerca de um terawatt de energia disponível no mar e, que até hoje, ninguém conseguiu rentabilizar com sucesso, de forma massiva”, disse.

No centro (I&D), em construção no porto comercial da cidade, “vão ser desenvolvidos e produzidos todos os componentes necessários à produção do equipamento”, servindo ainda para centralizar “todas as operações marítimas de colocação, manutenção, observação e recolha de dados” que os mesmos irão produzir.

Aníbal Matos, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), que integra consórcio internacional responsável pelo projeto Atlantis, destacou a importância do ‘cluster’ das energias renováveis em instalação em Viana do Castelo, permitindo criar “um polo de desenvolvimento ligado à robótica para as energias oceânicas”.

O projeto Atlantis, promovido pelo consórcio constituído pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), a EDP (NEW – Centre For New Energy Technologies) e mais oito parceiros de cinco países prevê um investimento de 8,5 milhões de euros, em três anos, para criar em Viana do Castelo o primeiro centro europeu para testar robôs em parques eólicos flutuantes.

O “primeiro centro europeu de teste de robôs marítimos em ambiente real” será criado no Windfloat Atlantic, o primeiro parque eólico flutuante da Europa continental, instalado a 20 quilómetros ao largo de Viana do Castelo, pelo consórcio Windplus.

Em julho, aquele parque “começou a gerar energia para abastecer, por ano, cerca de 60 mil consumidores, poupando quase 1,1 milhões de toneladas de CO2”.

O Windfloat Atlantic (WFA) representa um investimento de 125 milhões de euros, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis, e que integra o parceiro tecnológico Principle Power, a Repsol, a capital de risco Portugal Ventures e a metalúrgica A. Silva Matos.