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Artistas de Viana aderem a manifestação e pedem estatuto de trabalhador intermitente

Cerca de 80 trabalhadores do setor da Cultura concentraram-se ontem na Praça da República, em Viana do Castelo, e reclamaram a criação do estatuto do trabalhador intermitente, para fazer face a situações de “exceção” como a covid-19.

“O que pretendemos com esta manifestação é que se crie o estatuto do trabalhador intermitente que, infelizmente, ainda funciona a recibos verdes, e que, num momento de total paragem, como foi o caso de agora, não tem direitos absolutamente nenhuns, fica totalmente desprotegido, à mercê do que acontecer”, afirmou hoje Linda Rodrigues.

A atriz, encenadora e escritora de Viana do Castelo, e uma das organizadoras da ação “pacífica, sem ruído, com distanciamento mínimo de dois metros”, que decorreu entre as 18:00 e cerca as 20:00, disse que aquele estatuto deve “abranger as especificidades do setor”, acrescentando que “muitos colegas do setor artístico estão numa situação de fome”.

“Quando isto acontece é gravíssimo, num Estado de Direito. Não deveria acontecer já. Mas esta não é uma situação de agora, [nem é] por causa da pandemia que veem os seus direitos afetados. De facto, não há nada que nos projeta”, sustentou.
Linda Rodrigues explicou a realização da iniciativa na capital do Alto Minho “pela impossibilidade de os participantes se deslocarem às cidades onde hoje decorreram manifestações”, convocadas pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE) e pelo Manifesto em Defesa da Cultura.

A artista sublinhou que a ação de Viana do Castelo “não foi promovida pelo sindicato, mas cumpriu as indicações e os propósitos da manifestação nacional “Parados. Nunca calados”, que decorreu hoje em Lisboa, Porto e Faro, também a partir das 18.00.

Segundo um inquérito promovido pelo Cena-STE, e cujos resultados foram anunciados no início de abril, 98% dos trabalhadores de espetáculos viram trabalhos cancelados, dos quais um terço por mais de 30 dias.

Em termos financeiros, para as 1.300 pessoas que responderam ao questionário, as perdas por trabalhos cancelados representam dois milhões de euros, apenas para o período de março a maio deste ano, de acordo com o Cena-STE (o que indica a perda de um valor médio de receita, por trabalhador, de cerca de 1.500 euros).