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O Chile, a juventude e a ditadura em peça brasileira com estreia no FITEI

A peça “Democracia”, encenada pelo brasileiro Felipe Hirsch, leva a palco “Facsímil”, livro do chileno Alejandro Zambra, para refletir as “contradições e complexidades da democracia atual”, com estreia nacional no sábado, no Porto.

O espetáculo, que sobe ao palco do Teatro Municipal Rivoli pelas 19:00 de sábado, no âmbito do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), reflete o trabalho habitual de Hirsch na interseção de teatro, música e literatura em palco.

“’Democracia’ visa explorar as conquistas íntimas, sociais e políticas que esse sistema teve na sociedade chilena”, pode ler-se na apresentação.

Inspirado nos textos de Alejandro Zambra, aborda questões como “a educação, os traços da ditadura, a transição democrática, a desigualdade, a ética e até a família”.

Descrito como “provocatório e mordaz”, o espetáculo reflete o olhar da geração que hoje em dia “carrega os sonhos, medos e frustrações do Chile”, com música original de Arthur de Faria e Mariá Portugal.

Publicado em 2014, “Facsímil” utiliza o exame de aptidão académica utilizado naquele país da América Latina para questionar o papel da educação na transmissão de ideias de obediência, autocracia e normalização do pensamento.

Nascido em 1975 em Santiago do Chile, Zambra é considerado um dos autores mais talentosos daquele país, sendo incluído numa lista de autores latino-americanos abaixo dos 39 anos (“Bogotá39”) e escolhido pela Granta, em 2010, como um dos melhores nomes a escrever em espanhol.

O chileno vai estar no Porto para conversar com Felipe Hirsch, encenador de “Democracia”, sobre o processo entre a obra literária e o trabalho de cena, marcada para domingo pelas 17:00 na Livraria Flâneur.

Outra das estreias nacionais que o festival promove no âmbito do foco deste ano no tema “Brasil Descolonizado” é a de “Tchekhov é um cogumelo”, pelo Estúdio Lusco-Fusco, numa reconstrução de “Três Irmãs”, do russo Anton Tchekhov (1860-1904).

Dirigido por André Guerreiro Lopes e com uma instalação sonora de Gregory Slivar, este apresenta-se como uma “síntese livre da peça original”, procurando explorar os conceitos de “apatia, caos, esperança e desejo de mudança”, ligando o tempo da peça aos dias de hoje.

O espetáculo pode ser visto no sábado e no domingo no Teatro Nacional São João, contando com a participação do Grupo Embatucadores.

Em Viana do Castelo, o Teatro Municipal Sá de Miranda recebe, no sábado, a estreia nacional de “Colónia”, do brasileiro Renato Livera, que sobe ainda a palco no domingo na Casa das Artes de Felgueiras e na quinta-feira no Palácio do Bolhão, no Porto.

Esta “palestra-performance” procura discutir a condição colonial do Brasil a partir de uma análise linguística, mas também nas suas “dinâmicas e mentalidades”, e da história do Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais.

Esta instituição de saúde mental ficou conhecida por ter sido palco da tortura e morte de dezenas de milhares de pessoas, sendo aqui utilizado para aproximar o público de possíveis “forças propulsoras para uma ideia de descolonização, sobretudo do pensamento”.

O FITEI, que este ano se juntou ao Festival Dias Da Dança (DDD) e arrancou com uma semana ‘partilhada’, e especialmente dedicada a programadores internacionais, prossegue até 25 de maio, com o tema “Brasil Descolonizado”.

Fonte: Lusa

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