Há histórias que se fazem com as mãos, mas que se escrevem sobretudo com o coração. Em Santa Marta de Portuzelo, João Natálio Brandão da Cunha, ou João Duro, é um dos últimos mestres artesãos a dar forma às tradicionais chinelas à vianesa. Um saber que recebeu do pai e que não quer deixar morrer.
Aos 67 anos, continua no seu atelier, entre ferramentas e memórias. Desde 2020, enfrenta a doença de Parkinson, que torna cada movimento mais difícil. Mas, mesmo quando o corpo não acompanha a vontade, há uma paixão que o mantém ligado ao ofício de toda uma vida.
Cada chinela exige tempo, paciência e precisão. Cada detalhe guarda um pouco da história de uma família, de uma terra e de uma tradição. Para João, não são apenas peças artesanais: são uma herança que carrega consigo e que sente a responsabilidade de preservar.









