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Dia Mundial da Alimentação: o Alto Minho tem muitos sabores. Qual é o seu favorito?

Há sabores que nos levam de volta à infância, às refeições de domingo e à mesa dos avós. Neste Dia Mundial da Alimentação, assinalado a 16 de outubro, a gastronomia do Alto Minho ganha destaque como parte da identidade de uma região onde a comida se cruza com a história, a paisagem e as tradições familiares.

Entre o mar, os rios, as serras e as hortas, o território reúne ingredientes e saberes que dão origem a uma cozinha diversificada. As receitas atravessam gerações, ganham diferenças de terra para terra e continuam a marcar os encontros à mesa, dos almoços em família às festas populares.

O arroz de sarrabulho à moda de Ponte de Lima é uma das referências desta gastronomia. O cabrito também ocupa um lugar de destaque, com receitas como o cabrito à Serra Amarela, em Ponte da Barca, à Sanfins, em Valença, ou à Serra d’Arga, em Caminha. São diferentes expressões de uma cozinha ligada ao território e aos seus produtos.

Nas mesas da região há igualmente lugar para o cozido, que reúne carnes, enchidos e legumes, e para o cordeiro à moda de Monção, associado aos assados e às refeições de festa. Os rojões e o arroz de pica no chão, também conhecido como arroz de cabidela, completam este retrato de uma cozinha de sabores intensos, preparada com tempo e saber.

O bacalhau encontra também expressão no Alto Minho, em especialidades como o bacalhau à Gil Eanes e à São Teotónio. A truta do rio Coura, a lampreia e o sável acrescentam os sabores dos rios a este património gastronómico, onde a diversidade de receitas acompanha a variedade da paisagem.

Para terminar, a doçaria prolonga a vontade de ficar à mesa. O leite-creme queimado, os charutos de ovos, os formigos e as rabanadas de mel são algumas das especialidades que integram o património regional e que continuam a adoçar os momentos de convívio.

Mas a gastronomia do Alto Minho vive também das receitas que não estão escritas num livro: a sopa feita com os produtos da horta, o tempero ajustado «a olho», o aproveitamento do pão da véspera ou o prato que só ganha aquele sabor nas mãos de alguém da família. São conhecimentos transmitidos na cozinha, entre gestos repetidos e segredos partilhados.

Num dia dedicado à alimentação, olhar para esta herança é também pensar no valor dos alimentos, no trabalho de quem os produz e na importância de evitar o desperdício. Preservar a cozinha regional passa por continuar a preparar as suas receitas e transmitir esses saberes aos mais novos.