O arquiteto português Fernando Cerqueira Barros, natural de Arcos de Valdevez, venceu o Prémio Rafael Manzano de Nova Arquitetura Tradicional 2026, no valor de 50.000 euros, pelo trabalho de reabilitação e valorização das aldeias rurais afetadas pela desertificação, foi hoje anunciado.
Nesta 14.ª edição do prémio, o júri distinguiu a abordagem do vencedor sobre a arquitetura que procura manter vivas as comunidades rurais portuguesas, segundo a Fundação Culturas Construtivas Tradicionais (FCCT), entidade espanhola com sede em Madrid, promotora do galardão.
Os projetos de Fernando Cerqueira Barros envolvem os habitantes e os mestres artesãos locais, e recorrem a materiais e técnicas tradicionais de cada região, salienta a organização, em comunicado.
O arquiteto receberá o prémio a 12 de novembro, em Madrid, Espanha, numa cerimónia em que será também entregue a Medalha Richard H. Driehaus de Conservação do Património à Fundação Hortensia Herrero, sediada em Valência, galardão também promovido pela FCCT.
Nascido no norte de Portugal, onde desenvolve grande parte da sua atividade, Cerqueira Barros “procura recuperar edifícios em ruínas ou abandonados e contribuir para a revitalização do mundo rural, através de intervenções que têm em conta a paisagem, a identidade e os conhecimentos construtivos de cada território”, indica.
Com 15 anos de carreira, o arquiteto complementa a atividade profissional com investigação e iniciativas culturais e comunitárias destinadas a preservar e transmitir os saberes locais sobre a paisagem, os materiais e as técnicas de construção tradicionais.
Entre as intervenções mais relevantes, a organização do prémio destaca a reabilitação do Mosteiro de São João de Cabanas, em Afife, no concelho de Viana do Castelo, antigo conjunto beneditino de origem medieval transformado em hotel, cuja recuperação devolveu integridade arquitetónica ao edifício e foi distinguida com o Prémio Nacional de Arquitetura Espaço 2025.
O trabalho de Cerqueira Barros inclui também a recuperação de construções rurais de menor dimensão, como a Quinta de Fundevila, em Cabeceiras de Basto, e intervenções em habitações em Penacova, Morilhões e Santo Tirso, abrangendo ainda edifícios de caráter monumental e urbano, como a Igreja do Convento de Vila Cova de Alva, a Igreja do Pópulo e o edifício Chave d’Ouro.
A colaboração com os mestres artesãos constitui outro dos pilares da sua prática, “procurando preservar a atividade destes profissionais e assegurar a transmissão dos conhecimentos associados aos ofícios tradicionais, ao mesmo tempo que demonstra a possibilidade de utilizar materiais e sistemas construtivos antigos na arquitetura contemporânea”, salienta o texto.
Doutorando na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e investigador no Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo da mesma instituição, Cerqueira Barros é membro da cátedra “Património, Cidades e Paisagens. Gestão Sustentável, Conservação, Planeamento e Projeto” da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Foto: Redes Sociais










