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Pescadores de Viana do Castelo satisfeitos com safra do polvo de Natal

A safra do polvo começa em setembro, mas as capturas dos pescadores de Viana do Castelo aumentaram nas últimas semanas com mais quantidade do chamado polvo de Natal, muito procurado para a ceia de 24 de dezembro.

A presidente da Associação de Pescadores de Castelo de Neiva disse hoje à agência Lusa que, dos 24 barcos daquela comunidade piscatória, “20 andam à pesca do polvo”.

“Há muita procura, porque as pessoas aproveitam para comprar para o polvo de Natal [com um peso que oscila entre três a quatro quilogramas]. O polvo precisa de arca [congelação] para ficar macio”, adiantou.

Maria José Neto explicou que o “mar está calmo, como o polvo gosta”, o que tem permitido aos pescadores retirar, por dia, das gaiolas [armadilhas de ferro, forradas com rede de plástico, com isco no interior] “entre 90 e 200 quilogramas de polvo”.

O polvo médio [com entre um e dois quilogramas de peso] está a ser vendido a cerca de oito euros o quilograma, já o polvo de Natal pode ir aos 15 euros.

“Está a sair muito polvo grandinho. O tempo também ajuda, o mar está calmo. O polvo gosta de comer e de não estar escondido do mar bravo. É muito bom aparecerem estas semanas assim, porque, se vier mau tempo para o Natal, a gente já consegue recompor, um bocadinho, a carteira”, explicou.

Maria Neto começou, vai fazer oito dias, a ir ao polvo e já notou, pelas “200 gaiolas” que coloca no mar, que a safra este ano está a ser melhor que no ano passado”.

“Estamos a tirar polvos com mais de um quilograma para cima. Tudo o que apanhamos vai para uma fábrica, em Guimarães [distrito de Braga]”, especificou.

“Precisávamos de mais semanas assim, de mar calmo. Para a semana já vem mau tempo e vou ter de tirar as minhas gaiolas para não ficar sem elas”, apontou.

Na cidade de Viana do Castelo, Ricardo Guia, mestre do Sempre em Frente, o barco que mais vezes levou andores durante a procissão ao mar e ao rio durante as Festas de Nossa Senhora da Agonia, confirmou estar “a aparecer mais polvo” do que no ano passado, sobretudo médio de Natal.

“Há mais polvo do que no ano passado e notámos que há muita criação [polvo bebé] que fica nos covos. É bom sinal, é sinal que vai crescer”, disse, referindo que a “criação” é devolvida ao mar para futuras capturas.

Nos mais de mil covos (nome que os pescadores da ribeira de Viana do Castelo dão às gaiolas de Castelo de Neiva) que coloca no mar, está a “tirar, duas a três vezes por semana, entre 200 e 300 quilos de polvo”.

“É a quantidade limite de covos permitida ao meu barco, que tem mais de 15 metros de comprimento e sete homens a bordo. Estamos a tirar sobretudo polvo médio e o polvo de Natal. Na terça-feira tirámos um com 4.700 quilogramas”, apontou Ricardo Guia.

Segundo o mestre do Sempre em Frente, o polvo de Natal é vendido a mais de 10 euros o quilo, preço que sobe em lota. Já o médio oscila entre os sete e os oito euros, o quilograma.

Toda a captura do Sempre em frente é comprada por uma empresa local de venda de pescado e pela irmã Joana Pinheiral, que há cerca de 10 anos, quando ficou desempregada, decidiu criar a própria empresa de comercialização de pescado.

Este ano, refere, “há mais quantidade e mais polvo de Natal do que em 2020”.

“Nota-se perfeitamente. O tempo também está a ajudar. Desde outubro já devo ter vendido mais de quatro mil quilos de polvo. Só esta semana vendi 400 quilos de polvo.

Logo no início de outubro tive semanas em que vendi entre 700 e 800 quilos”, avançou a empresária.

A varina do século XXI compra o polvo ao irmão e vende através do telemóvel, por SMS, enviadas aos clientes.

O polvo, pescado que mais vende nesta altura do ano, chega aos clientes, já preparado e acondicionado, através da carrinha climatizada que adquiriu com apoio de fundos comunitários destinados à criação do próprio emprego.

“Já tenho uma arca cheia, com cerca de 200 quilos de polvo que comprei, arranjei e congelei para assegurar as encomendas de clientes de várias zonas, desde Braga, a Barcelos até Valença”, explicou.

Se no próximo do Natal o mau tempo impedir os pescadores de irem ao mar, Joana Pinheiral tem a arca cheia de polvo pronto a cozinhar, “primeiro” para os clientes de “todo o ano, desde particulares, hotéis e restaurantes”.

“O polvo grande precisa de pelo menos um mês de arca para ficar bem tenrinho. Já o médio precisa de duas semanas para se poder comer”, contou.