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Sobe para cinco o número de mortes em lar de Vila Nova de Cerveira

A morte de um utente do lar Maria Luísa, em Vila Nova de Cerveira, elevou para cinco o número de óbitos associados à Covid-19 naquela instituição, que tem atualmente 65 utentes e 32 funcionários infetados.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, Fernando Nogueira, adiantou que esta quarta-feira de manhã morreu mais um idoso, sendo que no lar permanecem agora 62 idosos infetados com o novo coronavírus.

O autarca classificou como “caótica” a situação no lar pela falta de profissionais para acudir ao surto de Covid-19. “A situação não é grave, é caótica pela falta de recursos humanos. A exaustão acaba por desgastar toda a gente. O provedor da Santa Casa não dormiu a noite toda para dar apoio necessário aos funcionários que se encontram no interior do lar”, afirmou Fernando Nogueira.

“Temos tido imensa dificuldade em contactar com o interior do lar porque toda a estrutura colapsou, desde o médico, que está internado em estado bastante grave, a enfermeiros, elementos da direção que asseguravam a gestão do lar e funcionários”, reforçou.

Segundo Fernando Nogueira, “durante a noite, cerca de dois a três funcionários cuidaram dos 63 idosos infetados”, sendo que há utentes em estado grave, “a necessitar de ventilação e tratamento contínuo”.

“Hoje chegou uma Brigada de Intervenção Rápida (BIR) composta por dois enfermeiros e três auxiliares e estamos a contar com a chegada de um médico para fazer a avaliação dos utentes”, referiu.

Na terça-feira, a Câmara Municipal e a Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Cerveira lançaram um “apelo local e transfronteiriço” ao voluntariado.

“Tivemos uma pessoa da Galiza que se disponibilizou para ajudar. No sábado chegará um grupo de estudantes de enfermagem do Instituto Piaget de Vila Nova de Gaia para apoiar a combater surto no Lar Maria Luísa, em Vila Nova de Cerveira. Estamos a encontrar alojamento para acolher essas pessoas”, adiantou.

Dos 70 utentes do lar Maria Luísa, cinco morreram e três estão hospitalizados. Os restantes 62 permanecem na Estrutura Residencial para Idosos (ERPI), sendo que 32 de um total de 52 funcionários da instituição – entre administrativos, profissionais de saúde e auxiliares – também se encontram infetados.

A instituição tem atualmente 10 funcionários com baixa médica e apenas 10 no ativo para garantir o funcionamento da instituição.

O autarca acrescentou que o mesmo apelo foi lançado aos funcionários municipais. “Fizemos o mesmo pedido aos trabalhadores municipais, mas temos muitos casos de infeção, sendo que apenas um funcionário se disponibilizou e já começou a trabalhar”, disse.

O autarca referiu ainda que “a Fundação da Bienal de Arte de Cerveira (FBAC) também foi encerrada, porque dos 11 funcionários e colaboradores pontuais, quatro estão infetados com o vírus SARS-CoV-2” e “os restantes estão à espera do resultado dos testes”.