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Pescadores de Caminha queixam-se de “situação caótica” e pedem ajuda ao Governo

O presidente da Associação de Pescadores do Rio Minho e do Mar (APPRMM) disse hoje que a comunidade de Caminha está em situação caótica por não ter como escoar o pescado e apelou ao Governo que tome medidas rapidamente.

“Vemo-nos sem poder pescar a nossa lampreia porque não temos a quem a vender e também não temos um espaço físico onde vender o peixe. Pedimos que o Governo olhe rapidamente para este setor, senão será o caos instalado.

Estamos há mais de 15 dias sem ganhar um euro”, afirmou Augusto Porto.
O responsável da associação explicou a comunidade piscatória do concelho de Caminha, no distrito de Viana do Castelo, “depende fundamentalmente” da pesca da lampreia, atualmente sem escoamento.

“Desde sábado, ficámos sem toda a restauração que habitualmente comprava lampreia e que fechou. Os intermediários também deixaram de comprar. Estamos a viver uma situação caótica a nível financeiro para as nossas pequenas empresas e para as cerca de 300 famílias que dependem do sustento do rio”, reforçou.

Augusto Porto adiantou que o encerramento do mercado municipal veio agravar a situação dos pescadores.

“Compreendemos e concordamos inteiramente com o encerramento decidido pela Câmara de Caminha porque o mercado deixou de ter condições, mas ficámos sem local físico para vender o nosso peixe”, lamentou.

O presidente da APPRMM disse ainda que o encerramento da Docapesca, “por razões óbvias de saúde pública”, deixou “toda a comunidade piscatória à deriva”.

“A solução que a Docapesca nos arranjou foi a de sermos nós a comprar o nosso próprio peixe e sermos nós a vendê-lo. Não cabe na cabeça de ninguém, neste momento de pandemia, sermos nós a vender o pescado, de porta em porta, por não termos canais de venda ou local físico para o efeito”, explicou.
Augusto Porto disse que contactou o presidente da Câmara de Caminha, que informou “não ter muitas soluções, porque ainda não estão criadas”.

“Nós não vamos ao mar porque não queremos estragar recursos. Os setores primários, como a pesca, estão sem saber o que fazer”, reforçou.

 

Recorde a reportagem da Altominho.tv, que acompanhou durante um dia a faina da lampreia de Manuel Silva e Augusto Porto, com 66 e 69 anos de vida. São os pescadores mais antigos de Caminha e nunca pensaram em mudar de profissão.