Seis dos nove trabalhadores da cozinha do centro social e paroquial de Darque, em Viana do Castelo, concentraram-se hoje à porta da instituição para exigir “uma jornada de trabalho contínua, que concilie a vida profissional com a familiar”.
“Desde o início do ano que partiram os horários. Entramos às 07:30 até 12:30. Depois regressamos das 17:00 até às 20:00. É um horário que não nos permite ter vida própria”, afirmou Maria Santos, de 54 anos.
Cozinheira na instituição há mais de quatro anos, Maria Santos adiantou que no seu caso, por viver na freguesia de Vila Mou, a cerca de 16 quilómetros de distância da instituição, “perde mais de duas horas a conduzir”, nos 64 quilómetros de viagens que tem de fazer e gasta “muito dinheiro em combustível”.
“Eu ganho o ordenado mínimo nacional e não compensa. No fundo estamos por conta deles quase o dia todo, o que não nos permite fazer mais nada”, explicou.
Rosa Silva, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), adiantou que “o serviço dispunha de quatro cozinheiras, sendo que uma despediu-se por não lhe compensar fazer o novo horário”.
A sindicalista considera tratar-se de “uma maneira da direção desmotivar as trabalhadoras, e ver se as leva ao despedimento”.
“A instituição tem funcionários suficientes para fazer dois turnos na cozinha, porque normalmente é uma equipa a fazer o almoço e, outra, o jantar. Mas a direção quer a mesma equipa a fazer as duas refeições”, especificou a sindicalista.
Segundo Rosa Silva são confecionadas, diariamente, cerca de 300 refeições para as valências da creche, lar de idosos, unidade de cuidados continuados, serviço de apoio domiciliário e centro de atividades de tempos livres.
Rosa Silva adiantou que o caso já foi denunciado à Autoridade Para as Condições de Trabalho (ACT) e à Segurança Social.
“A Direção quer implementar horários, com um corte de quatro horas e meia na jornada, o que significa que os trabalhadores estão ao dispor da instituição 12:30 minutos, ou seja, mais de dia e meio”, afirmou.
Contactada pela Lusa, fonte da direção do centro social e paroquial de Darque, que assumiu o cargo em maio de 2019, disse que “num universo de 110 trabalhadores da instituição, apenas cinco ou seis estão contra os horários implementados no início deste ano”.
A mesma fonte adiantou que “os horários foram parte de um processo de reorganização da instituição que se encontrava em desequilíbrio financeiro, com seis meses de atrasos nos pagamentos a fornecedores e a entidades”.
“Estão a reagir ao processo de reorganização que estamos a implementar. O horário da cozinha é diferente das outras valências da instituição, mas são para continuar. Estamos a agir, em pleno, de acordo com todo o enquadramento legal”, explicou a fonte.
A mesma fonte disse que quando a atual direção assumiu o cargo a instituição “estava em vias de fechar”.
“Havia que tomar medidas. Neste momento, a instituição está processo de recuperação e, no bom caminho. Hoje a situação está resolvida, graças à colaboração muito próxima da câmara municipal, e da Segurança Social”, especificou.










