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Motoristas de transportadora de Viana suspendem contrato de trabalho por salários em atraso

Doze trabalhadores da Auto Viação Cura, de Viana do Castelo, requereram esta segunda-feira junto da empresa e da ACT, a suspensão do contrato de trabalho por salários em atraso.

“As cartas foram entregues hoje à empresa e à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). O contrato é suspenso oito dias depois de entregue a carta. A partir do dia 11, se a empresa não pagar tudo o que deve aos trabalhadores, eles vão parar e irão receber os ordenados pela Segurança Social”, explicou à Lusa o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN), José Manuel Silva.

Contactado pela Lusa, o porta-voz daquela empresa de transporte público, Rui Matos, disse não ter recebido o pedido de suspensão de trabalho e confirmou a falta de pagamento dos ordenados de outubro e novembro, adiantando que “durante esta semana a situação será regularizada”.

“Há esse atraso, mas há o compromisso com eles de, durante esta semana, regularizar o pagamento do mês outubro e começar a pagar novembro”, reforçou.

Já o coordenador do STRUN adiantou que “se a empresa não pagar dentro de cinco dias a ACT irá atuar”. “Além de levantar autos, vai comunicar a situação à Segurança Social para que os trabalhadores possam começar a receber os salários pela Segurança Social”, disse, referindo que o serviço de transportes escolar assegurado pela Auto Viação Cura “poderá ficar em causa”.

“A partir do dia 11, os miúdos podem ficar na estrada porque 12 motoristas em falta representa muito”, frisou.

José Manuel Silva afirmou que os salários em atraso são uma “situação normal”, ultrapassada “com algumas greves”. “Quando os trabalhadores faziam greve a administração ia pagando os salários. Desta vez, os trabalhadores fizeram greve, entre 11 e 22 de novembro, durante o período da manhã, para exigir o pagamento do salário de outubro, mas a administração não lhes deu explicações, não lhes ligou nenhuma”, disse o sindicalista.

José Manuel Silva acrescentou que, em maio, o sindicato pediu a insolvência da Transcolvia, outra empresa do grupo.

“No próximo dia 05 [quinta-feira], há uma reunião no tribunal entre o administrador de insolvência, os trabalhadores e os restantes credores para decidir se há condições para recuperar a empresa ou se é decretada a falência”, esclareceu.

Questionado pela Lusa, o porta-voz da Auto Viação Cura afirmou que os serviços prestados pela transportadora “estão completamente garantidos”, e justificou os salários em atraso com “atrasos de clientes, sobretudo entidades públicas, no pagamento dos serviços” prestados pela transportadora.

“As entidades públicas têm atrasado os pagamentos e nós refletimos essa dificuldade no pagamento dos nossos compromissos. O Programa Operacional Potencial Humano (POPH), que comparticipa as escolas para as escolas nos pagarem os passes, anda a pagar-nos faturas do ano letivo 2017/2018”, especificou.

Rui Matos adiantou que o sindicato “poderia ter dito que os trabalhadores têm os subsídios de férias e de Natal completamente liquidados e que, desde janeiro de 2018, a empresa pratica salários de 750 euros para os motoristas, mais 95 euros do que está estipulado pela Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP) e pelos sindicatos”.

Segundo o porta-voz da administração, a Auto Viação Cura tem atualmente “cerca de 52 trabalhadores, vários sindicalizados e que fazem este tipo de críticas”. “Nós sabemos quem são os trabalhadores sindicalizados. Não queremos que abandonem a empresa porque fazem falta, senão já nos tínhamos visto livres deles”, referiu.

Já a outra empresa do grupo, a Transcolvia, emprega “três trabalhadores e nenhum deles sindicalizado”, disse.

Rui Matos referiu ainda que o pedido de insolvência que corre no tribunal foi movido por um “ex-trabalhador por causa de uma dívida de quatro mil euros”.

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