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Freguesia de Caminha com mais de 890 anos ganha 103 nomes de ruas

A freguesia de Riba de Âncora, em Caminha, fundada em 1125, concluiu este mês o processo de toponímia, passando a contar com nomes de 103 ruas, um “velho anseio” da população, disse hoje à Lusa o presidente da Junta.

“A população ficou muito contente. Era um anseio antigo. A falta de nome da rua e número da porta dificultava os acessos dos bombeiros e da assistência médica, o que preocupava a população”, explicou Paulo Alvarenga.

O presidente da Junta de Riba de Âncora, concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, explicou que “até agora apenas existiam lugares” na aldeia.

Paulo Alvarenga referiu que o processo de atribuição de toponímia foi iniciado pela Junta de Freguesia há três anos, tendo sido constituída uma comissão de cidadãos responsável “pela medição das ruas e pela escolha dos nomes” das artérias da aldeia, com cerca de 723 habitantes.

“Só uma rua é que ficou com o nome de uma personalidade. Os outros foram escolhidos pelos elementos da comissão com base em nomes antigos atribuídos às zonas da aldeia”, explicou Paulo Alvarenga.

Em nota enviada à imprensa, o município de Caminha explicou que entre os 103 nomes de ruas, largos, travessas, caminhos e praças, cada um conta “uma história”.

“A rua do Rio das Lages foi assim designada por ser de fácil entendimento. Ladeia a margem direita do rio Âncora e passa junto ao local denominado de Lages. A travessa da Cesteira por ser de comércio e elaboração de cestos, a travessa do Tranco por se tratar de um “general ligado às lutas liberais, entre muitas outras histórias e explicações”, refere.

Os nomes selecionados foram apresentados à Junta de Freguesia, que deu parecer favorável, e posteriormente submetidos à aprovação do presidente da Câmara Municipal, que acabou por dar aval as propostas da população. 

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Caminha disse que com a conclusão do processo de toponímia de Riba de Âncora, “à exceção de um ou outro caso pontual, o concelho deixou de ter ruas sem nomes”.

Em 2016, Caminha já havia completado a toponímia da freguesia de Argela, com 761 anos de existência, com a atribuição de 64 nomes a caminhos, ruas, largos e praças. 

“Eram duas freguesias com dimensão que não constavam do mapa toponímico nacional. As ruas sem nomes dificultavam o acesso do socorro, a distribuição do correio, transporte por táxis, e além da dinamização turística da aldeia.

Tanto Argela como Riba de Âncora são freguesias com muito alojamento local”, especificou. 

O edital de atribuições de topónimos a Riba de Âncora “já está publicado e o processo está disponível para consulta no serviço de atendimento do município de Caminha”. 

“A designação dos arruamentos e outros espaços públicos reveste-se de grande significado e importância constituindo, em conjunto com a numeração de polícia, um elemento indispensável na orientação e comunicação entre os cidadãos, bem como nas demais relações que estabelecem com o próprio território onde se movimentam”, destaca a nota da autarquia. 

Situada no vale do Coura, Riba de Âncora ocupa um território de 857 hectares, e dista 12 quilómetros do centro de Caminha.

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