Restaurada igreja mandada construir em Viana do Castelo por Bartolomeu dos Mártires

A fachada da Igreja de São Domingos, em Viana do Castelo, mandada construir por Frei Bartolomeu dos Mártires, recentemente canonizado pelo Papa Francisco, vai ser restaurada a partir de outubro, num investimento de mais de 150 mil euros.

Fonte autárquica, informou que a intervenção, com um prazo de execução de oito meses, “envolve-se em grande complexidade devido ao mau estado de conservação do granito da fachada, nomeadamente na parte inferior, onde é visível o forte decaimento”.

“São detetadas macroscopicamente extensas áreas de intervenções anteriores, denotando a necessidade, ao longo dos tempos, de sucessivas tentativas de atenuar a deterioração galopante do granito”, referiu.

Já em 2016, aquando do lançamento de uma linha de apoio municipal para incentivar à recuperação de património privado da cidade, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, alertava para os “graves problemas” da fachada da Igreja de São Domingos, pertencente à Diocese de Viana do Castelo.

“É uma preciosidade da cidade que está muito debilitada”, frisou, na altura, o autarca socialista.

O programa de conservação e restauro da fachada daquela igreja vai ser apresentado no sábado, pelas 11:00. A sessão vai contar com a presença do presidente da Câmara, do diretor regional da Cultura do Norte e do pároco de Monserrate.

A cerimónia integra as iniciativas locais realizadas pela autarquia no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2019, que decorrem até domingo, envolvendo 173 concelhos de todo o país.

Aquela igreja integra o antigo convento de Santa Cruz, depois designado de São Domingos, que, tal como a igreja, foi mandado construir por Frei Bartolomeu dos Mártires. Foi naquele convento que o beato morreu a 16 de julho de 1590 e onde se encontra sepultado.

A intervenção de conservação e restauro tem “como objetivo o restabelecimento da integridade física, histórica e estética do conjunto e compreende o tratamento do granito da fachada principal da igreja, o tratamento do pavimento em granito do adro, a conservação da porta de madeira, a substituição dos vãos de madeira, a aplicação de sistema eletrostático para afugentamento de aves, reposição de pedra nova (em caso de necessidade), trabalhos estruturais e tratamento dos rebocos”.

Classificada como Monumento Nacional, a sua construção remonta ao século XVI, tendo sido alvo de obras ao longo dos dois séculos seguintes.
Da autoria do mestre João Lopes o Moço, “e elaborada segundo os rigorosos planos e indicações de Frei Bartolomeu dos Mártires”, a igreja do Convento de São Domingos “é um claro exemplar das exigências arquitetónicas contrarreformistas”.

“Resultado direto das diretrizes do Concílio de Trento no que respeitava à edificação arquitetónica, o convento dominicano da foz do Lima alia as soluções maneiristas de vincada verticalidade e ambiguidade de escalas à finalidade catequética que se pretendia dos templos pós-tridentinos”, sustenta a autarquia nos dados hoje avançados à Lusa sobre a intervenção de restauro.

Em julho, o Vaticano anunciou, por decisão do Papa Francisco, a canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires, que decorrerá a 10 de novembro.
Bartolomeu dos Mártires foi declarado venerável em 23 de março de 1845, pelo papa Gregório XVI, e beato, em 04 de novembro de 2001, pelo papa João Paulo II.

Bartolomeu dos Mártires (nascido Bartolomeu Fernandes) nasceu em Lisboa em 03 de maio de 1514 e faleceu em Viana do Castelo em 16 de julho de 1590.

Foi arcebispo de Braga entre 1559 e 1582, tendo tido uma participação importante no Concílio de Trento, como um elemento destacado da ala renovadora da Igreja de então.

A igreja que mandou construir na capital do Alto Minho, do século XVI, tem “uma fachada maneirista onde ressaltam esculturas em granito, sendo o retábulo barroco da capela-mor um dos mais representativos do chamado “estilo nacional”.

Em Viana do Castelo não ficou apenas conhecido por ter mandado construir o Convento de Santa Cruz – depois designado de São Domingos, tal como a igreja contígua -, mas sobretudo pela sua dedicação aos pobres.