Aos 51 anos, Lucinda Sousa, de Gondomar, é a número um em Portugal no ultra trail. A capitã da seleção nacional de trail já venceu as principais provas da disciplina em Portugal e participou nas principais provas de trail internacionais, sendo que, em muitas delas, foi a melhor portuguesa. E tudo começou há aproximadamente 10 anos.
Licenciada, há 25 anos, em Desporto e Educação Física e Mestre em Atividade Física Adaptada, abraçou, este ano, um novo desafio: fazer a Pós-Graduação em Avaliação, Planeamento e Performance em Trail Running na Escola Superior de Desporto e Lazer do Politécnico de Viana do Castelo (ESDL-IPVC), situada em Melgaço.
“Aprofundar conhecimentos e adquirir novas competências, principalmente ao nível da avaliação” são os seus objetivos. “Esta Pós-Graduação é uma mais-valia para quem, como eu, também está ligada ao treino”, afirma.
Sempre esteve ligada ao desporto, principalmente à natação, mas, em 2013, estreou-se numa competição de trail. A vitória na sua primeira prova foi o rastilho para a paixão pelos trilhos. “Sou apaixonada pela corrida, pelos trilhos e pelos grupos que se criam. Os grupos, a própria corrida são um vício… e como tinha sucesso, fui-me mantendo.”
A sua preferência recai nas provas de três dígitos. “Estas provas de endurance envolvem uma organização diferente, quer ao nível do planeamento, quer da sua gestão para as terminarmos e fazermos um bom resultado.” E a paixão que descreve já a levou a cometer algumas loucuras. Recorda que, no seu primeiro mundial, em Annecy, França, correu 85 km com uma fratura na rótula.
No início do mês, Lucinda Sousa disputou o Campeonato do Mundo de Trail Running, em Chiang Mai, na Tailândia. Apesar das muitas dificuldades sentidas, garantiu o 50.º lugar no long trail feminino. Foi também nesta prova que Portugal conquistou o seu melhor resultado coletivo, o sétimo lugar, nesta que foi a primeira edição do Mundial de Montanha e Trail Running.
O objetivo de Lucinda Sousa era “terminar a prova e tentar pontuar o máximo possível”. O fuso horário, as condições climatéricas, com muita humidade e temperatura alta, a falta de treino no local do campeonato e os problemas gástricos, que a “impossibilitaram de ingerir alimentos sólidos e líquidos a partir dos 40 km” da prova, condicionaram o seu resultado, que ficou “aquém” das suas “expetativas”. “Gostaria de ter reduzido cerca de uma hora ao meu tempo, mas não foi possível”, refere.










