O filme português de animação “Viana A Lenda dos Corações de Ouro”, que tem Daniela Melchior e Diogo Piçarra a dar voz aos protagonistas, está a fazer campanha em Hollywood para chegar à ‘shortlist’ das nomeações para os Óscares da Academia.
“As expectativas que mais temos é, pelo menos, ser ‘shortlisted’”, disse à Lusa o produtor Rui Lima Miranda. “A campanha que estamos a fazer é muito focada em dar a conhecer o filme, dar a conhecer as categorias em que nos estamos a candidatar, fazer campanhas de redes sociais e com a imprensa, e com isso dar a conhecer o filme e permitir que os membros possam votar”.
A longa-metragem da Watermelon Productions será exibida em Beverly Hills num evento especial com passadeira vermelha a 02 de dezembro, depois de uma semana em cartaz no Lumiere Cinema, o que a qualifica para ser elegível nos Óscares.
Será ainda disponibilizada aos membros votantes da Academia de Hollywood e também dos Globos de Ouro e dos Critics Choice Awards, com campanhas de marketing no meio especializado Deadline e através de entrevistas em meios como o Gold Derby. “O ‘não’ já é garantido, portanto não custa tentar”, frisou Miranda.
Em Portugal, “Viana A Lenda dos Corações de Ouro” será exibida publicamente, pela primeira vez, em Viana do Castelo, no próximo dia 14, antes da estreia em sala já anunciada para 19 de novembro.
A produção acredita que “Viana” tem trunfos na banda sonora e na música, com cinco canções originais e a participação de Ângelo Freire na guitarra portuguesa e Nuno Bettencourt, vencedor de um Grammy, na guitarra elétrica.
“Nós estamos muito entusiasmados com a possibilidade de, pelo menos em banda sonora e na melhor canção, sempre passarmos para ‘shortlisted’ com essas duas categorias”, afirmou Rui Lima Miranda.
“Mantemos a esperança de também ser ‘shortlisted’ no melhor filme de animação, tendo em conta que temos a concorrer com filmes de orçamento dez vezes superior ao nosso”, salientou.
A Watermelon acredita que “Viana A Lenda dos Corações de Ouro” é a maior produção cinematográfica de sempre, com um orçamento de dez milhões de euros que não inclui apoios públicos, salvo incentivos fiscais à produção.
“A história é fantástica e também já vimos em edições passadas dos Óscares que não ganha a melhor qualidade de produção, ganha a melhor história, a melhor combinação das duas coisas”, sublinhou o produtor.
O filme de animação é realizado por Rodrigo Carvalho, que também foi coautor do argumento. O cineasta explicou que a ideia foi criar uma história bonita e emocionante para a origem dos Corações de Viana, tomando liberdade criativa para associar a tradição vianense ao “coração de ouro” do povo português.
“E se fosse a generosidade dos portugueses a fazer nascer essa história?”, disse Rodrigo Carvalho, sobre o mote do argumento, explicando que a história demorou cerca de sete anos a chegar ao grande ecrã.
“A atenção ao detalhe é doentia”, disse o realizador. “O filme é hiperrealista, porque se ele não fosse, se as coisas não parecessem mesmo praticamente reais, ficaria muito difícil acreditar numa história de amor de dois personagens que são completamente digitais”.
A equipa de desenvolvimento passou algum tempo em Viana do Castelo a visitar o Museu do Traje, a visitar as ruas da cidade e a conhecer os edifícios mais emblemáticos para garantir a genuinidade das imagens, indicou Rui Lima Miranda, explicando que a sua mulher é natural da cidade e a família vive as tradições com intensidade.
“O filme, nesse sentido, entrega nos dois patamares, na genuinidade dos elementos que fazem as pessoas conectarem-se com a história e na parte cultural”, considerou o produtor.
A reação das audiências nas exibições antecipadas tem sido muito boa, segundo os responsáveis. “Em Portugal, as pessoas ficam emocionadas mesmo”, contou Rodrigo Carvalho. Fora do país, as audiências têm considerado o filme “refrescante” e diferente.
A dupla acredita que a história tem temas universais, com potencial para cativar audiências não portuguesas, e a presença de um elenco com nomes fortes também será importante.
Daniela Melchior dá voz à princesa Ana e Diogo Piçarra é Thomas, num elenco que também inclui Pêpê Rapazote, Nuno Markl, Vasco Palmeirim, Luke Newton, Michael McElhatton, Joanna Scanlan, Hugo Van Der Ding, Mário Redondo e Melânia Gomes.
Foto: DR










