A morte inesperada da Alfa deixou uma profunda marca na SUBZONE Rescue Team, de Monção. A cadela, que integrava a equipa cinotécnica de busca e salvamento, morreu atropelada depois de fugir da propriedade do seu tratador. Agora, a chegada de Alpha, uma cachorra da mesma raça, traz uma nova esperança à equipa, graças a um gesto de solidariedade da família de Maria Augusta, desaparecida em Rubiães, no concelho de Paredes de Coura.
Em declarações à Altominho TV, a SUBZONE descreve a perda da Alfa como um momento de “enorme tristeza” para toda a equipa. Mais do que um animal de trabalho, era “uma companheira de missão, um elemento da nossa equipa cinotécnica e, acima de tudo, parte da nossa família”.
A ligação entre os cães e os respetivos tratadores, construída diariamente através da confiança, da dedicação e da cumplicidade, torna estas perdas particularmente difíceis.
Foi neste contexto de dor que surgiu um gesto inesperado. Os familiares de Maria Augusta decidiram oferecer à equipa uma cachorra Pastor Belga Malinois, a quem foi dado o nome de Alpha.
A família atravessava um período de sofrimento e angústia, na sequência do desaparecimento da mulher, mas encontrou ainda assim forma de reconhecer o trabalho desenvolvido pelos operacionais nas buscas.
A SUBZONE participou em diversas operações para tentar localizar Maria Augusta, mobilizando operacionais, meios tecnológicos e recursos cinotécnicos, em articulação com as restantes entidades envolvidas.
A oferta da nova cadela representa, por isso, muito mais do que a entrega de um animal. “Representa um vínculo humano de enorme significado”, sublinha a equipa, que considera o gesto uma demonstração de solidariedade e reconhecimento que “jamais esquecerá”.
Alpha não substitui Alfa
Apesar da chegada da nova cadela, a equipa faz questão de esclarecer que Alpha não vem substituir Alfa. “A Alfa é insubstituível e terá sempre um lugar especial na nossa memória”, afirma a SUBZONE à Altominho TV.
A nova integrante inicia agora um percurso exigente de educação, socialização, formação e treino operacional. O objetivo é prepará-la para uma futura avaliação e certificação pela Guarda Nacional Republicana, nos níveis e modalidades aplicáveis à atividade cinotécnica de busca e salvamento.
A concretização desse objetivo dependerá, contudo, da evolução, aptidão e competências que Alpha demonstrar ao longo do processo. A equipa reconhece que será um caminho progressivo e exigente, mas mantém a ambição de a preparar para integrar plenamente a sua capacidade operacional.
À família que ofereceu a cachorra, a SUBZONE deixa uma mensagem de “profunda gratidão e reconhecimento”. Num momento particularmente difícil, os familiares de Maria Augusta escolheram transformar a sua solidariedade numa nova oportunidade para a equipa continuar a desenvolver a sua missão.
“A Alpha será cuidada, acarinhada e preparada com toda a dedicação. Honraremos a confiança que depositaram na SUBZONE”, garante a equipa.
A história das duas cadelas traduz, assim, dois momentos distintos na vida da organização: a dor de uma perda irreparável e a esperança de um novo começo.
A chegada de Alpha não apaga a ausência da Alfa, mas renova a motivação dos operacionais para continuar a ajudar quem mais precisa.
“A Alfa ficará para sempre na nossa memória. A Alpha começa agora a escrever a sua própria história, com a mesma missão: ajudar a salvar vidas”, conclui a SUBZONE Rescue Team.
Foto: DR










