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Vilar de Mouros arranca com Youngblud como cabeça de cartaz para cinco dias de rock 

O cantor britânico Youngblud é o cabeça de cartaz do primeiro dia do Vilar de Mouros, o festival português mais antigo, que arranca na próxima terça-feira, dia 18, e que pela primeira vez tem cinco dias.

Paulo Ventura, diretor do festival, destacou a duração do Vilar de Mouros, que vai estender-se por cinco dias de concertos, principalmente por causa da agenda apertada do artista britânico Youngblud, de 29 anos, que só tinha disponibilidade para atuar na terça-feira, dia 18.

“Queríamos muito ter o Youngblud e ele só podia mesmo na terça-feira, porque depois tem outros festivais pela Europa (…). Falámos aqui com os nossos parceiros, com a presidente da Câmara, com o presidente da Junta [de Freguesia], com o Crédito Agrícola (…), e entendemos que, pelo peso dos artistas – e obviamente principalmente pelo Youngblud e pelo que isso pode representar também em termos de mais público, de mais dinâmica do festival -, excecionalmente, este ano, podíamos fazer este quinto dia com o esforço de todos, mas também com a alegria de sabermos que vamos ter um artista que pode fazer a diferença e que está a fazer a diferença”, explicou Paulo Ventura, diretor do festival.

O Vilar de Mouros, apesar de ter muitas bandas e artistas que “criaram a história” e que “fazem parte da história”, não é só um “festival da saudade”, sublinha Paulo Ventura.

“Nós não estamos presos. Há um espaço temporal, mas não é um festival da saudade, nem é um festival só com os ‘legacy artists’, em que só vêm aqueles que foram muito bons nos anos 80 e 90. Nós gostamos de ter um leque alargado de artistas e, aliás, olhando para este cartaz, isso está bem patente. Vão desde os artistas que fizeram a história até aos artistas que souberam ler essa história, que souberam deixar-se influenciar, mas que são de agora, e aos artistas que estão a começar agora e a criar eles próprios a história. Portanto, o Younblud está aí no meio disso. É para um público diferente daquele que normalmente vem a Vilar de Mouros, mais novo, mas também agrada a um público menos novo”.

A aposta na presença do artista britânico Youngblud “já está a fazer diferença para o aumento da venda dos bilhetes”, pois é um artista de “arenas e ‘headliner’ de festivais, com um público bastante alargado em termos de idade”, descreve o diretor do festival.

“Em termos de comunicação, alarga bastante o público a quem chegamos. Em termos das vendas dos bilhetes, alarga bastante a quantidade de bilhetes vendidos (…).

Efetivamente nós notamos a diferença em relação a outros anos, pelo facto de termos um artista como este. E mais, o Younblud é um artista que, na verdade, está a fazer um ‘crossover’”, ou seja, “é um artista que aparece num universo mais ‘teen’ e ‘pop’ e que no processo de crescimento se tem aproximado do rock e de público mais velho, sem perder o fator novidade”, acrescentou.

No primeiro dia do Vilar de Mouros, o destaque de Paulo Ventura vai também para os President, uma “banda inglesa que ninguém sabe quem eles são”.

“Eles têm lá aquelas máscaras deles. (…) É aquele ‘metal core’ que agora é muito apreciado e muito ouvido por muita gente. E para nós era muito importante podermos também criar essa dinâmica”.

Os Cabaret Voltaire são outros dos destaques elencados pelo diretor pois será possivelmente a última vez que vêm a Portugal.

No segundo dia, 19, foi realçada a presença dos norte-americanos Dropkick Murphys, que vieram duas vezes ao Vilar de Mouros e regressam 12 anos depois, agora como cabeças de cartaz, e a presença dos Fishbone, que são uma banda que criou uma corrente musical, que tem uma história e que deixou essa história para o que vem a seguir a eles, afirmou Paulo Ventura.

A banda sueca de punk de garagem The Hives, formada em 1994, a banda de hard rock norte-americana, da California, Ugly Kid Joe e as bandas Less Than Jake e Grade 2 são outros agrupamentos musicais agendados para dia 19 de agosto.

O dia 20 é dedicado ao Reino Unido com a banda britânica de rock Kasabian, formada em 1997, e que é cabeça de cartaz do terceiro dia.

Os Kula Shaker, “que nunca vieram a Portugal”, os Kaiser Chiefs, “que nunca deixam o palco no mesmo sítio”, e os The Lathums completam o alinhamento da terceira noite do festival minhoto.

No quarto dia, 21, Ben Harper domina. O festival celebra os 25 anos do primeiro espetáculo do músico em Vilar de Mouros. “Faz 25 anos que ele tocou aqui [em Vilar de Mouros]. É obviamente uma celebração”, e vai acontecer cerca das 22h00.

Os islandeses Kaleo estão também entre os cabeça de cartaz do quarto dia do festival, atuando ainda a banda norte-americana originária War, os belgas Triggerfinger, a norte-americana Sydney Ross Mitchell e Monstro.

No último dia, 22 de agosto, os Body Count com ICE-T sobem ao palco, mas antes há Rudeboy, Mark Ramone, Travo e a atuação do vencedor do concurso de bandas António Barge, fundador de Vilar de Mouros em 1971.

O festival recebeu cerca de 50 mil pessoas em 2025 e a expectativa da organização é que o número seja superado este ano.

“Olhando para o cartaz temos quase cinco festivais dentro de um festival”, disse o diretor à Lusa.

“O primeiro dia é tudo artistas muito de agora, tirando os Cabaret Voltaire. No segundo dia é mais de punk e garage, portanto vai, se calhar, [chamar]  um público não tão novo”. O dia dos Kasabian e dos Kaiser Chiefs “será um dia um bocadinho mais abrangente”, acrescentou.

Quanto ao quarto dia, o dia do Ben Harper, “será o nosso dia mais adulto ou com menos gente nova” e o último dia será “mais pesado”, concluiu Ventura.

As portas abrem às 15h00 da próxima terça-feira e os concertos arrancam cerca de 17h00.

Foto: DR