Altominho.tv

Criadores de gado inauguram exposição fotográfica de animais atacados pelos lobos

Uma exposição fotográfica com 10 painéis com mais de um metro quadrado de dimensão que mostram ataques dos lobos a rebanhos vai ser inaugurada na terça-feira na Junta de Freguesia de Outeiro, em Viana do Castelo.

A mostra é promovida pela União de Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL), vai percorrer várias regiões do país e pretende chegar ao parlamento.

“Claro que são imagens chocantes. Há criadores que se sentem mal quando chegam ao rebanho e são confrontados com o resultado da predação dos lobos. São imagens reais, não são ‘Tiktok’, nem Inteligência Artificial. É o que está a acontecer aos animais dos criadores do rio Douro para cima”, afirmou, em declarações à agência Lusa, o porta-voz da UPGALL, Orlando Gonçalves.

O porta-voz adiantou que o objetivo é “partilhar com a sociedade, em geral, e, em particular, com o poder público e político as imagens, para mostrar a hecatombe que a predação está a provocar”.

“A exposição fotográfica é elucidativa da selvajaria em que vivemos e percorrerá o país até às mais altas instâncias da política e do poder, para mostrar que os criadores de gado, em geral, e dos cavalos garranos, em particular, consideram o lobo um parasita psicopata que mata e estropia tudo que encontra pela frente”, afirmou.

Orlando Gonçalves referiu que será feito um convite ao ministro da Agricultura e Pescas para se deslocar a Montalegre, “onde a situação é de bradar aos céus”.

“É uma zona que está encostada a Espanha. Aos serem caçados na Espanha, [os lobos] passam para Portugal e algumas alcateias comem na zona de Montalegre e voltam para a Galiza”, explicou.

A exposição acontece no dia “em que os criadores de cavalos garranos da Serra de Santa Luzia, em Viana do Castelo, concretizam uma tarefa hercúlea para encontrar e reunir os garranos assilvestrados que o lobo ainda não matou para serem marcados”.

“O maneio anual, a frustração e os prejuízos estão garantidos, pois dos cerca de mil garranos que habitualmente pastavam na serra e zonas limítrofes estima-se que apenas se encontrem 300”, afirmou.

Em 13 de maio, os agricultores foram ao parlamento expor “o drama” que os assola, tendo mesmo convidado os deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar a deslocarem-se ao terreno.

O convite ficou feito para terça-feira, dia anual da marcação de garranos na serra de Santa Luzia.

Investigadores concluíram que os cavalos garranos podem representar até 80% da dieta do lobo ibérico em algumas zonas do noroeste de Portugal e Espanha, o que coloca pressão sob a espécie autóctone ameaçada.

A espécie funciona como uma “presa tampão, favorecendo a redução da predação sobre espécies de gado economicamente valiosas como vacas, cabras e ovelhas”, observam os autores do estudo, de acordo com o comunicado da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

Contudo, os garranos estão sob “pressão crescente”.