O recuperado Lavadouro de Fornelos, um dos espaços mais emblemáticos da freguesia da Meadela, Viana do Castelo, foi escolhido como elemento central do cartaz das Festas da Meadela 2026. A apresentação da nova imagem das festividades destaca um local de relevância histórica, cultural e social, associado durante gerações ao quotidiano da população e às tradições rurais do Alto Minho.
Da autoria da designer meadelense Marta Felgueiras, o cartaz presta homenagem às lavadeiras e ao papel que o lavadouro desempenhou na vida comunitária da freguesia. A composição visual procura estabelecer uma ligação entre a memória coletiva e a identidade atual da Meadela, tendo como pano de fundo a água que continua a correr no local e a tradição que permanece viva na comunidade.
A identidade gráfica recorre a uma paleta de cores inspirada na ruralidade minhota. Os tons de azul e branco evocam a frescura das águas do lavadouro, enquanto as tonalidades terra e madeira remetem para a arquitetura tradicional envolvente. Vermelhos e amarelos, inspirados nos lenços, aventais e saias do traje tradicional das lavadeiras, introduzem um contraste festivo e dinâmico à composição.
Além do seu valor patrimonial, o Lavadouro de Fornelos destaca-se pela sua funcionalidade histórica. A fonte que alimenta o tanque nasce no próprio local e a estrutura foi concebida para servir simultaneamente as necessidades domésticas e agrícolas. A água utilizada nas lavagens era encaminhada para os campos vizinhos através de um sistema de drenagem, acabando por desaguar no Ribeiro de São Vicente, também conhecido como Ribeira de Fornelos.
Documentos históricos referem igualmente a importância social deste espaço. Segundo registos constantes no “Tombo Novo da Igreja de 1743”, existia uma regra que determinava que os utilizadores do lavadouro deveriam ceder o lugar às criadas do abade quando estas ali se deslocassem para lavar a roupa da Igreja, demonstrando a relevância do local na organização da vida comunitária da época.
O cartaz integra ainda a representação do chamado Trajo da Erva, considerado um dos exemplares mais simples do traje feminino tradicional do Alto Minho. A peça retratada apresenta-se em tons de vermelho e inclui elementos característicos como o chapéu de palha de aba larga, o avental listado, os lenços de algodão e os tradicionais socos, vestuário associado às mulheres que trabalhavam nos campos e desempenhavam tarefas domésticas até às últimas décadas do século XX.
Segundo Laurinda Filgueiras, da Ronda Típica da Meadela, este traje de trabalho é considerado por diversos investigadores uma das origens do traje à vianesa, símbolo identitário da região e expressão da cultura popular minhota.
As Festas da Meadela 2026, em honra de Santa Cristina, decorrem a 31 de julho, e 1 e 2 de agosto.
Foto: DR










