Ana Peixoto, natural de Paredes de Coura, construiu um percurso na investigação em Física de Partículas que a levou a trabalhar durante uma década no CERN, o Laboratório Europeu de Física de Partículas. Depois de regressar a Portugal, abraçou um novo desafio profissional na Agência para a Investigação e Inovação (AI²).
Com 33 anos, a física licenciou-se e fez o mestrado em Física na Universidade do Minho (UMinho), onde concluiu também o doutoramento. Ao longo do percurso, desenvolveu investigação na Universidade de Grenoble, em França, e na Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
Em 2019, tornou-se a primeira portuguesa a receber a ATLAS PhD Grant, distinção que lhe permitiu realizar o doutoramento no CERN, onde trabalhou no projeto ATLAS, uma das principais experiências do Grande Colisionador de Hadrões (LHC).
Durante dez anos de colaboração, assumiu diferentes responsabilidades, incluindo a substituição de detetores no túnel do acelerador de partículas e a liderança de uma equipa de comunicação. A sua investigação de doutoramento centrou-se no estudo de possíveis novas interações do quark top, uma das partículas elementares conhecidas.
No novo cargo de Industrial Liaison Officer, Ana Peixoto tem como missão facilitar a ligação entre empresas portuguesas e organizações científicas internacionais de que Portugal é membro, como o CERN, a Agência Espacial Europeia e o ITER, responsável por um projeto internacional de investigação em fusão nuclear.
O objetivo passa por identificar oportunidades de colaboração e apoiar a participação da indústria nacional em processos de aquisição e projetos associados à chamada Big Science, que abrange áreas como a Física, a Energia, os Materiais e a Astronomia.
Em entrevista à UMinho, Ana Peixoto recordou que o primeiro contacto com a Física de Partículas aconteceu ainda no ensino secundário, durante uma iniciativa promovida pela universidade. A experiência despertou-lhe o interesse pela Ciência e levou-a a decidir que queria ser cientista.
A investigadora defende ainda a necessidade de garantir maior estabilidade profissional aos jovens investigadores e de aproximar a Ciência dos alunos desde os primeiros anos de escolaridade.
Foto: Alumni UMINHO










