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Projeto-piloto detetou falta de qualidade do ar na Escola Básica de Freixo

A qualidade do ar junto à Escola Básica de Freixo, em Ponte de Lima, está entre os casos identificados num estudo que detetou concentrações de poluentes atmosféricos acima dos futuros limites legais em várias escolas portuguesas.

Os resultados preliminares do projeto “Respirar Fundo”, promovido pela Associação Bora Ambientar, mostram que a EB Freixo foi uma das escolas onde foram registadas excedências pontuais aos valores-limite atualmente em vigor, nomeadamente relativamente às partículas em suspensão PM2.5 e PM10.

A escola de Ponte de Lima integra um conjunto de 13 estabelecimentos de ensino básico e secundário abrangidos pelo projeto, desenvolvido desde setembro de 2025 em vários pontos do país. A monitorização foi realizada através de estações portáteis, instaladas de forma itinerante, que permitiram acompanhar continuamente as concentrações de partículas em suspensão, dióxido de azoto (NO₂) e ozono troposférico (O₃).

Segundo as conclusões preliminares, os níveis de PM10, PM2.5 e NO₂ registados nas escolas monitorizadas apresentam, de forma geral, padrões horários compatíveis com a influência do tráfego rodoviário, com aumentos das concentrações durante as horas de maior circulação, de manhã e à tarde.

No caso da EB Freixo, em Ponte de Lima, foram, contudo, identificados episódios de maior concentração de partículas que ocorreram sobretudo durante a noite e ao fim de semana. A associação considera que este padrão poderá apontar para a influência de fontes externas à atividade escolar, como sistemas de aquecimento a biomassa, queimadas ou poeiras.

A situação registada em Ponte de Lima surge também entre os casos com maior incidência identificados no Norte do país, juntamente com a EB Manhente, em Barcelos, e a Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia.

O estudo alerta ainda para o facto de que, em nove das 12 escolas já monitorizadas, teriam ocorrido mais situações de incumprimento caso fossem aplicados desde já os limites mais restritivos previstos na Diretiva Europeia 2024/2881, que deverá produzir efeitos em 2030. Em vários dias analisados, foram registadas concentrações médias de PM2.5 e NO₂ superiores aos futuros valores-limite anuais.

Os resultados conhecidos dizem respeito a 12 das 13 escolas abrangidas. A escola de Ílhavo será monitorizada apenas no próximo ano letivo.

A Associação Bora Ambientar sublinha que a monitorização junto das escolas permite identificar situações que podem não ser totalmente refletidas pelas estações fixas da rede nacional de qualidade do ar. Embora exista coerência entre os dados das estações do projeto e os da rede oficial, foram também observadas diferenças nos níveis absolutos registados.

O projeto “Respirar Fundo” envolveu cerca de 1.500 alunos e mais de 250 docentes, integrando também ações de educação ambiental em áreas como Geografia, Ciências Naturais e Físico-Química.

A partir de outubro, a associação prevê avançar com uma nova edição do projeto, denominada “Respirar+Fundo”, que deverá abranger escolas de outras regiões do país e combinar a monitorização da qualidade do ar com iniciativas de educação ambiental e a criação de clubes meteorológicos escolares.

Foto: DR