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Bordalo II explica obra polémica: “Quero chamar à atenção quanto aos nossos hábitos extremamente consumistas”

A nova escultura de Bordalo II, instalada em Ponte de Lima para assinalar os 25 anos da Área de Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e São Pedro de Arcos, continua a dividir opiniões. Enquanto uns elogiam a dimensão artística e a forte mensagem ambiental da obra, outros questionam a sua estética e o impacto visual no espaço público.

Em declarações exclusivas à Altominho TV, o artista lisboeta esclarece o significado da peça e explica que a escolha da rã ibérica está longe de ser aleatória.

“Proteger esta rã significa proteger todo o ecossistema do concelho”, afirma Bordalo II, sublinhando que a espécie é uma das que apresenta maior prioridade de conservação na Área Protegida, partilhando o habitat com inúmeras outras espécies.

Com cerca de sete metros de altura e construída a partir de resíduos reutilizados, a escultura pretende ir muito além do impacto visual. O artista diz querer provocar uma reflexão sobre os hábitos de consumo da sociedade.

“A intenção é formar uma consciência de equilíbrio em cada um, capaz de transformar os comportamentos nocivos que mantemos enquanto sociedade”, explica.

A escolha da rã resultou também de um pedido específico do Município de Ponte de Lima. Segundo Bordalo II, desde o início que o objetivo era representar este anfíbio precisamente pelo seu simbolismo ambiental e pela importância da sua preservação.

Conhecido internacionalmente pelas esculturas de grandes dimensões construídas com materiais descartados, o artista defende que a arte pública pode desempenhar um papel decisivo na sensibilização ambiental.

“A arte tem o papel de educar e alertar o público para os problemas urgentes da nossa sociedade e do nosso planeta. Educar através da cultura”, frisa.

Bordalo II explica ainda que utiliza resíduos para representar precisamente as espécies ameaçadas pela ação humana.

“Retrato animais porque quero representar as espécies que estamos a colocar em risco com a matéria que os está a destruir. O objetivo destas peças, muito para além de reutilizar materiais, é pôr em evidência aquilo que estamos a destruir e como.”

Questionado sobre o legado que pretende deixar em Ponte de Lima, o artista espera que a escultura continue a desafiar gerações futuras a refletirem sobre o impacto do consumo excessivo.

“Quero chamar a atenção para os nossos hábitos extremamente consumistas e mostrar a quantidade de lixo que produzimos. O objetivo é criar uma espécie de balança mental na cabeça de cada um que leve à alteração de maus hábitos que temos enquanto indivíduos e como sociedade.”

A escultura integra as comemorações dos 25 anos da Área de Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e São Pedro de Arcos e passa agora a fazer parte do património artístico permanente do Parque Fernando Calheiros de Barros.

Reconhecido internacionalmente, Bordalo II já reutilizou mais de uma centena de toneladas de resíduos nas suas criações, tendo obras expostas em diversos países da Europa, Ásia, América e Oceânia. A peça agora instalada em Ponte de Lima junta-se a esse conjunto de intervenções que transformam lixo em arte, procurando sensibilizar o público para a preservação da natureza e para as consequências do consumo excessivo.

Foto: Altominho TV