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Presidente da Direção dos Bombeiros de Arcos de Valdevez defende o fim do modelo DECIR

O presidente da Direção dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez, Germano Amorim, defendeu uma reforma profunda no modelo nacional de combate aos incêndios rurais, na sequência do elevado número de ocorrências registadas nos últimos dias na região e em concelhos vizinhos. O responsável propõe o fim do atual DECIR (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais) e a criação de um dispositivo permanente e profissionalizado, ativo durante todo o ano.

Segundo Germano Amorim, o atual modelo já não responde à realidade atual, marcada por alterações climáticas, desorganização do território, falta de prevenção e aumento de ignições de origem criminosa. O dirigente considera que “o fogo deixou de ter estação”, criticando o facto de o reforço de meios acontecer apenas durante o verão.

O responsável alerta que, neste momento, os bombeiros já estão no terreno a combater vários incêndios com recursos limitados, equipamentos desgastados e viaturas sujeitas a avarias frequentes. Na sua opinião, o modelo atual “chega sempre tarde” e coloca em risco tanto operacionais como populações.

Entre as principais propostas, destaca-se a profissionalização do sistema, defendendo a criação de equipas de bombeiros a tempo inteiro, com formação contínua, carreiras estáveis e melhores condições de trabalho.

“O voluntariado deve ser valorizado, mas não pode continuar a ser o pilar central de um sistema que exige resposta permanente, técnica e altamente especializada”, destaca em comunicado.

Germano Amorim apela ainda a uma mudança estrutural que inclua investimento contínuo, manutenção regular de meios e maior articulação entre bombeiros, proteção civil e forças de segurança. Para o dirigente, a sucessão de incêndios na região demonstra que o modelo atual falhou, defendendo uma abordagem mais preventiva e eficaz no combate aos fogos rurais.