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Derrocada no Forte da Ínsua: “Doloroso é uma palavra ténue para exprimir o que se sente”

Parte da muralha do histórico Forte da Ínsua sofreu uma derrocada recente, situação que está a gerar preocupação no município de Caminha. A presidente da câmara, Liliana Silva, revelou hoje à Altominho TV que o alerta chegou na quarta-feira, através de imagens captadas por uma empresa que se encontrava na zona.

“Confesso que dizer que é doloroso é uma palavra muito ténue para exprimir o que uma pessoa sente quando vê aquilo que é o nosso património, um monumento nacional, a cair, depois de tudo o que já nos aconteceu”, afirma a autarca, manifestando preocupação com o estado da estrutura.

Segundo Liliana Silva, o município teve conhecimento da situação por volta do meio-dia, após o alerta de uma empresa que se deslocou ao local para fazer imagens relacionadas com um naufrágio. “Como é óbvio, este não é um local onde possamos ir por norma.  Parte da muralha já derrocou, tem uma parte em baixo, junto à areia, que já está em oco. Preocupa-nos muito que, com estas tempestades marítimas, possa degradar ainda mais aquela parte”, explica.

A autarquia já comunicou a situação às entidades competentes e também à empresa que detém o arrendamento do monumento, a DiverLanhoso.

De acordo com a presidente da Câmara, os próximos passos dependem da evolução das condições do mar. “Temos de aguardar que o mar acalme, para podermos lá ir, verificar e comunicar às entidades para elas depois procederem à reposição. Esperando nós que não caia a muralha toda. Para já é só uma parte, mas levou um desbaste muito grande.”

A autarca lamenta ainda o facto de o concelho ter sido fortemente afetado pelas recentes intempéries no litoral: “No Alto Minho, Caminha foi o concelho que mais sofreu com as intempéries em termos de costa. Em Lanhelas, em Seixas, em Vila Praia de Âncora, Moledo… Isto é desesperante para qualquer cidadão, quanto mais para qualquer autarca.”

A previsão de nova agitação marítima nos próximos dias aumenta a apreensão. “Ainda por cima temos a agravante de que há um aumento de mar nos próximos dias, vai haver uma agitação marítima elevada e tememos o que pode vir a acontecer ali”, alerta.

Perante este cenário, Liliana Silva defende intervenções estruturais na orla costeira do concelho. “Temos que agir, minimizar e mitigar os impactos que isto possa ter agora e num futuro próximo, com o aproximar da época balnear, do verão, em que as pessoas vêm para o nosso concelho e querem usufruir de todas as potencialidades e nós começamos a ver o nosso concelho a ruir, precisamente na parte da costa. Temos que fazer intervenções muito sérias, um investimento muito grande, um esforço muito grande, mas estamos cá para trabalhar”, concluiu.

Situado na Ínsua de Santo Isidro, a cerca de 200 metros da costa de Caminha, o Forte da Ínsua tem origens que remontam a 1392, embora a fortificação atual tenha sido erguida durante o reinado de João IV de Portugal. Inicialmente utilizado como local de culto — conhecido pelos portugueses como Santa Maria da Ínsua e pelos espanhóis como Santa Maria de Carmes — o espaço foi posteriormente ocupado por forças militares em períodos de conflito.

Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o Forte da Ínsua é considerado um dos principais símbolos históricos e culturais do concelho de Caminha e um marco relevante da história de Portugal.

Fotos: Altominho TV/Município de Caminha