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Presidente da Câmara de Monção quer “vigilância apertada” a pirómanos

O presidente da Câmara de Monção defendeu hoje para os pirómanos a mesma vigilância aplicada à pedofilia, que “reduziria em 90%” o número de fogos no país, apontado o exemplo do incêndio que lavra desde domingo no concelho.

“Tal como existe uma lista para a pedofilia e para outras áreas, porque não nesta também? Isto tem custos elevadíssimos para o país e tem de ser repensado. A forma como nós fazemos a vigilância, como nós fazemos o acompanhamento destas situações, deve ser feita, senão andamos todos nós a investir meios, tempo e dinheiro para depois não valer absolutamente nada porque todos os anos acontece a mesma coisa”, afirmou à agência Lusa António Barbosa.

O autarca social-democrata adiantou que “se houvesse os cuidados respetivos com os pirómanos, os incêndios reduziriam 90%”.

“Eu falo pelo concelho de Monção. O que tem acontecido nos últimos anos, seja por negligência seja por mão criminosa, os incêndios têm sempre mão humana”, sustentou.

António Barbosa disse “esperar uma investigação rigorosa à origem do incêndio que deflagrou no domingo, às 15h38, na União de Freguesias de Troporiz e Lapela, “passou, entretanto, por Friestas, no concelho vizinho de Valença, encontrando-se no lugar de Alderiz, na freguesia de Pias”, em Monção, distrito de Viana do Castelo.

De acordo com informação que consta da página oficial da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, às 15h00, combatiam as chamas 121 operacionais, 34 viaturas e cinco meios aéreos.

“Este é daqueles incêndios que qualquer leigo percebe logo que foi fogo posto, por ter começado ao mesmo tempo, no espaço de uma hora, em vários pontos”, apontou.

Segundo António Barbosa, as chamas “começaram em Longos Vales, passado uma hora colocaram junto à estrada nacional do lado Lapela, passados 10 minutos já havia outro [ponto de fogo] do lado de Lara. Passados mais 10 minutos já havia outro em Pias.

Quem fez isto foi fazendo um circuito na cabeça do incêndio, deixando fogo por todo o lado”, referiu.

“A cada dia que passa estou mais convencido que os números que indicam que 25% dos incêndios são de mão criminosa não são reais. Eu não acredito em nada disso. Hoje, os incêndios são maioritariamente de mão criminosa. Aquilo que sinto aqui no meu território, e não é de agora, é desde sempre, é que são incêndios provocados por pessoas desequilibradas, que têm prazer em ver arder. É uma convicção minha, muito antiga e que não mudo. São incêndios do quem quer fazer mal, de quem gosta de ver arder”, desabafou.

“É do conhecimento das próprias autoridades, quer dos bombeiros, quer da GNR, a existência de um determinado número de indivíduos que são reconhecidamente pirómanos, para não dizer criminosos”, insistiu.

De acordo com António Barbosa, o fogo “apanhou uma área de pinhal novo que também já tinha ardido nos incêndios 2017, tal como em Lara, que já tinha ardido em 2011”.

As “chamas atingiram áreas com vegetação muito jovem que tinham sido reflorestadas, umas de forma ordenada e outras com vegetação natural”, disse.

“Os bombeiros, felizmente, já nos habituaram a uma estratégia que, às vezes, provoca alguma revolta por parte dos populares por não haver um ataque tão intenso à zona central do incêndio, mas hoje aquilo que se privilegia é a defesa das populações e dos seus bens. Se não tivesse sido assim quer em Pias, quer em Lara agora estaríamos a lamentar a perda de algumas habitações”, disse.

António Barbosa adiantou não haver registo “de feridos, quer bombeiros, quer população, a não ser o flagelo de sempre”.

“A vegetação ardida e o clima mostram-nos que os próximos anos não vão ser fáceis”, alertou.