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Melgaço quer criar Ecomuseu da Transumância com Monção e Arcos de Valdevez

A Câmara de Melgaço quer envolver os municípios vizinhos de Monção e Arcos de Valdevez no Ecomuseu da Transumância, que já iniciou, na Branda da Aveleira, com a reabilitação do Forno da Telha.

O vice-presidente da autarquia, José Adriano Lima, explicou esta sexta-feira à Lusa que tanto a Junta de Freguesia de Gave, onde está situada a Branda da Aveleira, como os promotores privados e a Câmara Municipal, estão interessados em “preservar a identidade cultural e promovê-la além-fronteiras”.

“Se o caminho passar por uma estratégia supramunicipal, estaremos abertos a isso. Temos de inspirar-nos nas boas práticas, como é o caso do ecomuseu do Barroso, em Montalegre, no distrito de Vila Real, e adaptá-las ao nosso território. Já fiz os primeiros contactos, mas temos que aprofundar o diálogo. Neste momento, ainda não temos o modelo de colaboração definido, mas queremos aferir melhor as condições de um trabalho em conjunto”, afirmou José Adriano Lima.

Para o vice-presidente da autarquia, a Branda da Aveleira “é um espaço icónico, com um percurso com muitos anos e muito investimento público e privado, algum com apoio de comunitário, apontando como exemplos, o alojamento criado nas cardenhas, um restaurante, explorações pecuárias e agrícolas, como uma exploração de vinho e uma plantação de batata”.

“A oferta continua a evoluir para dar a conhecer a Branda da Aveleira”, destacou.

O Forno da Telha, na freguesia de Gave, inaugurado, no primeiro fim-de-semana de agosto, durante a celebração anual do dia do Brandeiro, é o primeiro passo do Ecomuseu da Transumância que Melgaço quer formar com os municípios vizinhos de Monção e Arcos de Valdevez.

Além do Forno da Telha, foi construído um conjunto de estruturas interpretativas da paisagem cultural, como passadiços a marginar o rio Aveleira, entre outras ações.

À Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Gave, Agostinho Alves, referiu que a criação do Ecomuseu da Transumância é “um anseio antigo por ser importante para a valorização do património material e imaterial da Branda da Aveleira”.

“É um projeto que já vem tarde. Já devia estar no terreno há vários anos para trazer desenvolvimento, relembrar o passado e manter as características destas tradições”, disse o autarca.

A constituição do Ecomuseu da Transumância está prevista na Declaração Patrimonial da Aveleira, assinada em 1996, aquando da realização do projeto Memória e Fronteira.

“Precisamos de desenvolvimento sustentável, ambiental e socioeconómico. Não queremos turismo em massa. Queremos um projeto bem estruturado que ajude a divulgar a história deste território e os seus costumes”, adiantou Agostinho Alves.

A transumância, que ocorre entre maio e setembro na serra da Peneda, à entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), é uma tradição secular que chegou a mobilizar uma centena de brandeiros em meados do século XX.

A aldeia de Branda da Aveleira, situada a 1.120 metros de altitude, na freguesia de Gave, é uma das muitas brandas que se encontram espalhadas pelas zonas mais altas do Alto Minho. É constituída por cerca de 80 casas, denominadas cardenhas, todas muito rústicas, de sobrado e corte térreos, que formam um conjunto ímpar não só pela sua tipicidade, como também por serem de fácil acesso.

As cardenhas eram os abrigos dos brandeiros, pastores que cumpriam a chamada transumância. Aí permaneciam de maio a setembro, para retirar partido de melhores pastos, e regressando à aldeia quando as chuvas e ventos agrestes prenunciavam o fim de mais um ciclo.