O presidente da Câmara de Viana do Castelo disse que a atribuição de apoios à valorização do património do concelho não é decidida de forma “avulsa”, mas sustentada numa “avaliação técnica”, referindo à capela de São Lourenço.
Luís Nobre, que respondia a uma interpelação do vereador do PSD, no período antes da ordem do dia da reunião camarária que se realizou esta quarta-feira, rejeitou a acusação da Junta de Freguesia de Darque, que reabilitou a capela do século XVI, situada em pleno estuário do rio Lima.
Na segunda-feira, em declarações à agência Lusa, o autarca da CDU, Augusto Silva, explicou que a reabilitação era “urgente”, face ao “estado de degradação e abandono” do templo, apontando a necessidade de “reparação do telhado que se encontrava com bastantes telhas partidas”.
Augusto Silva adiantou que, “em meados de 2021” a Junta de Freguesia solicitou um apoio à autarquia, mas não obteve resposta.
Segundo o autarca, as obras realizadas com autorização da Diocese de Viana do Castelo, foram realizadas na última semana de janeiro, num investimento que rondará os 1.200 euros.
Na altura, a Lusa questionou a Câmara Municipal, mas sem sucesso.
Esta quarta-feira, após a intervenção do vereador do PSD, Luís Nobre disse que a valorização do património “tem de ser enquadrada e não pode ser feito de forma avulsa”.
“De facto, houve uma proposta [Junta de Freguesia], mas o programa de valorização do património vai ser retomado, no sentido de continuarmos a dar resposta à valorização do património, sempre com base numa avaliação técnica e atendendo aos recursos disponíveis.
Esta capela nem estava identificada no mapeamento de igrejas com necessidade de intervenção”, disse o autarca socialista.
Luís Nobre realçou que, em 2021, a autarquia investiu, “com recursos diretos do município, mais de 700 mil euros” na valorização patrimonial.
“Se tivesse três, quatro, cinco milhões de euros não me faltava património religioso para intervir, talvez em situação de maior urgência do que esta capela.
Na maioria das vezes estamos a falar de património privado, pertencente à Igreja, mas que não deixa de ser património de todos, que representa um coletivo, e que queremos valorizar”, sustentou.
A capela de São Lourenço, que reabriu ao culto em 2013, após obras de reabilitação, é uma referência da foz do Lima, na margem esquerda da cidade de Viana do Castelo, em Darque, e que todos os dias, com a subida da maré, fica inacessível.
Isolada no areal da margem esquerda do rio Lima, enquadrada com a ponte Eiffel e conhecida por ficar rodeada de água todos os dias, a capela de São Lourenço aparece em plano de destaque em praticamente todos os postais da marginal de Viana do Castelo.
A capela esteve em ruínas até 1977, altura em que foi intervencionada para que, pelo menos no dia do padroeiro, pudesse receber celebrações.
Durante as últimas obras de restauro do templo foram encontrados vestígios indicando a presença de um culto pagão, anterior à construção da primitiva capela.










