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Confinamento na Galiza não afeta trabalhadores transfronteiriços

O diretor do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) do Rio Minho disse que o confinamento hoje anunciado pela Junta da Galiza para 60 municípios daquela região não vai afetar o quotidiano dos trabalhadores transfronteiriços.

“Todos os trabalhadores portugueses podem continuar a ir trabalhar para a Galiza, e os trabalhadores galegos podem continuar a vir trabalhar em Portugal. Fundamentalmente, haverá restrições a nível da hotelaria e restauração, na prática desportiva, sobretudo nos concelhos mais confinados. Os mais próximos do distrito de Viana do Castelo são Tui, que faz fronteira com Valença, e Porriño”, afirmou Fernando Nogueira.

O governo regional da Galiza, comunidade autónoma espanhola que faz fronteira com o Norte de Portugal, decidiu confinar 60 municípios da região a partir de sexta-feira, incluindo o encerramento de atividades não essenciais, como a restauração e similares.
Fernando Nogueira, que é também presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, no distrito de Viana do Castelo, disse que as medidas hoje anunciadas pela Junta da Galiza “vêm ao encontro das pretensões do AECT do Rio Minho”.

“Era preciso que as medidas de combate à pandemia de covid-19 fossem semelhantes, de um e de outro lado do rio Minho. Esta forma de confinar hoje anunciada pela Galiza é idêntica à aplicada em Portugal, primeiro nos municípios Paços de Ferreira, Felgueiras e Lousada e, no sábado, a 121 concelhos, entre eles, Vila Nova de Cerveira”, referiu.

Fernando Nogueira insistiu que o encerramento de fronteira entre os dois países “não faz sentido”. “Não há necessidade nenhuma de fechar fronteiras. Penso que as autoridades regionais e nacionais terão o mesmo pensamento. Esse é um ponto principal”, reforçou.

Também o presidente da Confederação Empresarial do Alto Minho (CEVAL), Luís Ceia afirmou que os trabalhadores transfronteiriços não serão afetados pelo confinamento galego.

O responsável indicou números de 2019 que apontam para “cerca de 622 trabalhadores portugueses a deslocarem-se diariamente à Galiza para trabalhar e, 9.089 portugueses a residir na Galiza, com contrato de trabalho”.
A CEVAL representa cerca de 5.000 empresas do distrito de Viana do Castelo que empregam mais de 19.000 trabalhadores.

O presidente do executivo regional, Alberto Núnez Feijóo, anunciou que a partir das 15:00 (14:00 em Lisboa) de sexta-feira e durante um mês as medidas de limitação da circulação de pessoas vão afetar um total de 60 municípios, onde vive cerca de 60% da população, incluindo sete cidades e os arredores, bem como 17 localidades mais pequenas com taxas elevadas de infetados pela pandemia de covid-19.

Feijóo assegurou que se trata de uma decisão “difícil” que se manterá em vigor durante um mês, embora durante esse tempo possa ser revista, e que são medidas para “o bem comum” da população galega, tendo em conta a “situação preocupante” da evolução da pandemia.

No resto da Galiza, que não terá estas restrições reforçadas, haverá também limitações à entrada nos centros comerciais, bem como nos transportes públicos não escolares, onde se limita a ocupação a apenas 50 % dos lugares, em termos gerais.

As maiores restrições aplicar-se-ão também nas autarquias com uma taxa acumulada de mais de 200 casos por 100.000 habitantes e uma tendência “ascendente” na notificação de casos.

As restrições significam o encerramento de todas as atividades consideradas não essenciais, pelo que será permitido ir para o trabalho, para a escola, movimentos para tratar de crianças e adultos e todos os movimentos de caráter sanitário.