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Valença defende recolher obrigatório “imediato” entre as 23h00 e as 06h00

O presidente da Câmara de Valença defendeu esta segunda-feira a implementação “imediata” do recolher obrigatório entre as 23h00 e as 06h00 para travar a propagação da pandemia de Covid-19, considerando que as novas restrições decretadas pelo Governo são “avulsas”.

“A montanha pariu um rato. Não há uma diretriz que se diga que vem de raiz. Vamos tomar medidas sérias porque isto é muito sério. Andamos aqui com medidas avulso e isto agrava-se no dia-a-dia. Assim não vamos a lado nenhum”, afirmou Manuel Lopes.

No sábado, o primeiro-ministro anunciou que 121 municípios vão ficar abrangidos, a partir de quarta-feira, pelo dever cívico de recolhimento domiciliário, novos horários nos estabelecimentos e teletrabalho obrigatório, salvo “oposição fundamentada” pelo trabalhador, devido à Covid-19.

Seis dos 10 concelhos do distrito de Viana do Castelo são abrangidos por aquelas medidas. Além de Valença, foram considerados concelhos de elevado risco Viana do Castelo, Ponte de Lima, Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira e Caminha.

Para o presidente da Câmara de Valença, os autarcas “deviam ter a possibilidade de gerir a situação das suas localidades”. “Não é a medida vir de cima e ser igual para todos. Hoje podemos estar mal, amanhã podemos estar mal e assim poderíamos aplicar ou aliviar as medidas de maneira a gerir a economia. Se eu pudesse implementar o recolher obrigatório implementava já”, afirmou.

Manuel Lopes defendeu que a evolução da pandemia de Covid-19 não será travada se não forem acionadas “medidas drásticas”, como o recolher obrigatório entre as 23h00 e as 06h00.

“Sou apologista de aplicar esta medida já. Paciência. Doa a quem doer. Para acabar com o ócio noturno, com os ajuntamentos. Com o recolher obrigatório esta malta nova deixava de fazer festanças na casa de um e de outro. Os cafés vão sofrer, mas paciência. É uma medida transitória. Não podemos é continuar a empurrar o problema com a barriga, não é correto”, sustentou. 

Para o autarca, é preciso “olhar para os dois lados”, ou seja, “para a epidemia e para a economia”. “Não caminham os dois no mesmo sentido. É como uma manta que nos cobre a todos. A manta é curta. Se puxarmos para o lado da economia destapamos a pandemia, se puxarmos para o lado da pandemia destapamos a economia”, reforçou.

Sobre a aplicação do teletrabalho, Manuel Lopes considerou ser “preciso não cair no ridículo”. “Neste momento, o que estamos a fazer é a cair no ridículo. Um município como o de Valença, que tem 300 funcionários, não pode colocar todos em teletrabalho. Não podemos colocar os 150 funcionários das escolas em teletrabalho, nem com horários diferenciados. Nem podemos pôr os funcionários que tratam dos jardins, das águas e das obras em teletrabalho”, especificou.

Segundo o primeiro-ministro, António Costa, que falava após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, os restaurantes nestes 121 concelhos do continente não poderão ter mesas com mais de seis pessoas e o seu horário de fecho passa a ser às 22h30. Os estabelecimentos comerciais terão de fechar, na generalidade, às 22h00.

Também nestes territórios, ficam proibidas as feiras e os mercados de levante, e os eventos e celebrações ficam limitados a cinco pessoas, exceto nos casos em que os participantes pertencem ao mesmo agregado familiar.

Para definir a lista dos 121 municípios, foram incluídos os concelhos com mais de 240 casos de infeção com o vírus da Covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

O concelho de Valença regista atualmente 74 casos ativos de infeção. Desde o início da pandemia, foram contabilizados um total de 185 casos confirmados, 110 recuperados e um óbito.