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Alto Minho reivindica manutenção de dois meios aéreos para combate a fogos

O presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Viana do Castelo disse hoje que vai reivindicar ao Governo a manutenção dos dois meios aéreos que desde 2010 operam na região, face à redução anunciada para este ano.

“A Comissão Distrital de Proteção Civil está muito preocupada com a possibilidade de termos reduzidos os meios aéreos no distrito de Viana do Castelo. Desde 2010 que temos contado com dois helicópteros ligeiros, sediados no Centro de Meios Aéreos de Arcos de Valdevez, quando temos a nossa força no máximo. Estes helicópteros têm sido fundamentais na primeira intervenção que é algo fulcral para o bom desemprenho na época de incêndios”, afirmou Miguel Alves.

O também presidente socialista da Câmara de Caminha, que falava à Lusa no final da reunião que decorreu hoje, em Viana do Castelo, para a apresentação do Plano Operacional Distrital no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais/2020, disse estar “muito preocupado com a redução dos meios aéreos no distrito.

“Essa possibilidade merece o nosso alerta. Estamos muito preocupados. Vamos levar esta nota ao ministro da Administração Interna de modo a percebermos se esta decisão tem retorno”, referiu Miguel Alves no final da apresentação do dispositivo distrital que decorreu, presencialmente, no auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) de Viana do Castelo.

Naquele espaço, com cerca de 200 lugares, estiveram presencialmente 13 responsáveis da proteção civil, cumprindo as recomendações da Direção-Geral da Saúde, sendo que mais 44 responsáveis do distrito de Viana do Castelo acompanharam e participaram na sessão com recurso a videoconferência.

Para o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, a manutenção dos dois meios aéreos “permite uma ação concreta, rápida e uma atuação em sítios tão distantes como Melgaço e Arcos de Valdevez”.

“Num grande incêndio dois helicópteros permitem que não haja intervalos no combate. Enquanto um vai buscar água ou colocar combustível, o outro está a trabalhar sobre o incêndio”, defendeu.

O autarca socialista destacou que o distrito de Viana do Castelo “tem uma orografia própria, uma situação climatérica particularmente ventosa e seca no verão, uma população dispersa, uma área florestal imensa e onde faltam bombeiros”.

“Estas dificuldades exigem reforço. Do ponto de vista dos meios aéreos estarmos ainda a perder um não é algo satisfatório para a região. Esta matéria tem de ser levada ao senhor ministro, exigindo que possam estar dois meios aéreos em Arcos de Valdevez de modo a acautelarmos o verão que vai ser, certamente, difícil”, reforçou.

Miguel Alves referiu a dificuldade na limpeza dos terrenos e a suspensão da formação de novos bombeiros, na sequência da pandemia de covid-19, que vai impedir, este ano, a integração de 70 novos elementos nas 12 corporações do Alto Minho.

“Nos últimos três anos tivemos uma área ardida reduzida, mas a área que não ardeu nos últimos anos está apta a arder nos próximos anos. A boa notícia do passado transforma-se numa má perspetiva para este verão”, desabafou.

Questionado pela Lusa, o primeiro Comandante Operacional Distrital (CODIS) de Viana do Castelo, Marco Domingues, disse que a redução para um meio aéreo “vai criar dinâmicas novas, com mais preocupações, particularmente na deslocação dos meios até às ocorrências mais distantes”.

“Não haja dúvida que é o meio mais rápido para chegar às zonas serranas. Preocupa-me mais se o índice de simultaneidade aumentar exponencialmente porque não conseguimos ter o mesmo meio aéreo em duas operações distintas. Mas é o dispositivo que nos foi entregue, é este que temos de gerir de forma muito criteriosa e rigorosa para garantir a sua eficiência”, disse Marco Domingues.