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Misericórdias de Viana do Castelo contra manutenção de idosos infetados nos lares

A União das Misericórdias de Viana do Castelo manifestou hoje a sua discordância com as orientações da Direção-Geral da Saúde sobre a manutenção de idosos com teste positivo à covid-19 nos lares e defendeu uma área distrital para o efeito.

Em comunicado, o Secretariado Regional da União das Misericórdias de Viana do Castelo, liderada por Alípio de Matos, alega que “não é aceitável querer impor a estruturas residenciais para idosos (ERPI) o acolhimento de pessoas com teste de covid-19 positivo”.

“Estas estruturas não possuem condições, quer em termos de infraestrutura, quer em termos de recursos técnicos e humanos, assim como equipamentos de proteção individual para os profissionais, para darem acompanhamento a um doente com covid”, é justificado.

Na nota, subscrita pelas 10 Santas Casas da Misericórdia do distrito de Viana do Castelo, é também sublinhado que os utentes das ERPI estão “numa situação de risco acrescido de maior disseminação da infeção”.

Segundo aquele Secretariado Regional da União das Misericórdias, a solução que se pretende implementar “acarreta riscos enormes para todos os utentes que não estão infetados”, assim como para os profissionais.

É ainda apontado que a maioria das estruturas “não tem condições físicas para criar áreas de isolamento, aumentando-se o risco de contágio” entre os utentes.

No entender destas Misericórdias, a obrigatoriedade de criar nas ERPI “áreas com utentes portadores de covid representa um perigo de saúde pública, pondo em risco de infeção outros utentes e profissionais, que seriam poupados com a solução de centralizar o acolhimento destes utentes” numa “área dedicada para o efeito em termos distritais”.

“Muito temos ouvido falar sobre a existência de um hospital de campanha, retaguarda ou missão para estas situações, mas, infelizmente, passado mais de um mês sobre o início do surto de pandemia, nada se fez”, lê-se.

As Misericórdias de Viana do Castelo também dizem que “urge a tomada de decisões por quem, em termos distritais, tem essa obrigação, não sendo aceitável o declinar de responsabilidades”.

Por fim, consideram que as entidades têm de assumir as responsabilidades e não devem querer que os idosos doentes fiquem nas ERPI, “lavando as suas mãos”.