Os entusiastas do ciclismo aguardam com “expectativa” pelo arranque da época de ‘granfondos’, provas amadoras de longa distância de estrada, em plena interrupção competitiva motivada pela pandemia da covid-19.
“Ansiamos que isto passe rapidamente, porque esta variante do ciclismo é aberta a todos, está muito enquadrada no turismo desportivo e de lazer e pode trazer uma grande perda. Da organização aos participantes, passando pela restauração e pelo comércio local, todos sofremos com esta tragédia”, reconheceu Manuel Zeferino, antigo ciclista de FC Porto, Sporting ou Boavista e responsável pela Bikeservice.
Sediada na Póvoa de Varzim, a empresa promove os cinco granfondos “mais participativos do país”, repartidos por Douro, Gerês, Bragança, Montemuro e Monção e Melgaço.
“Neste momento, ainda não cancelámos nada. Adiámos o Montemuro Granfondo para 04 de outubro [seria realizado no domingo] e o Douro Granfondo para 18 do mesmo mês [estava previsto para 03 de maio], esperando que nessa altura a situação esteja normalizada”, indicou o vencedor a Volta a Portugal em 1981.
“Vivemos das inscrições dos participantes e temos apoios de algumas cidades por onde passamos, o que nos leva a controlar um pouco as despesas para que haja dinheiro para gastar. Basta dizer que um evento como o Douro Granfondo custa mais de 100.000 euros para um único dia de competição”, ilustrou.
Intactos permanecem a prova em Monção e Melgaço, no dia 20 de setembro, bem como a derradeira etapa em Bragança, em 08 de novembro, ao invés do certame no Gerês, cuja calendarização programada para 07 de junho está “no fio da navalha”.
“Os ‘granfondos’ não fogem à regra do adiamento das grandes competições internacionais e não podemos tomar grandes medidas. Muito poucos podem treinar na rua e alguns limitam-se a fazer rolos em casa. Resta-nos esperar que todos se libertem de casa para andar de bicicleta e participar nestes eventos acompanhados da família”, projetou.
O negócio de Manuel Zeferino, de 59 anos, reúne ainda a gestão de duas provas de atletismo e outras tantas de ciclismo de montanha, sendo que a Corrida dos Reis (04 de janeiro) e o Raid das Masseiras (02 de fevereiro) já foram concretizados em 2020.
“Precisamos de responder aos participantes, que ficam nervosos com o adiamento de datas, mas mantendo a serenidade. Os apoios não existem em lado nenhum e esta fase custa muito mais às equipas profissionais. Quanto a nós, mais cedo ou mais tarde acabaremos por organizar estes eventos”, afiançou.










