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Câmara compra tela para “guardar” ciclo artístico do poema “Havemos de ir a Viana”

A Câmara Municipal de Viana do Castelo comprou na quarta-feira uma tela inspirada no poema de Pedro Homem de Mello, imortalizado pela fadista Amália Rodrigues e pintada pela neta do poeta, professor e folclorista português.

“Viana do Castelo passa a estar associada não só ao poema de Pedro Homem de Mello, como ao fado imortalizado por Amália Rodrigues e, agora à tela pintada pela descendente, num verdadeiro ciclo artístico”, referiu o presidente da Câmara de Viana do Castelo.

José Maria Costa, que falava à margem da inauguração da exposição intitulada “Havemos de ir a Viana”, de Mariana Homem de Mello, anunciou ainda que a tela, orçada em 1.400 euros, vai ficar exposta no Museu do Traje, em pleno centro da cidade.

“É um museu que faz a exaltação do nosso Traje à Vianesa e é o melhor local para ficar exposto. Uma memória da nossa identidade e da nossa cultura”, adiantou.

Situado na Praça da República, Museu do Traje está instalado num edifício construído entre 1954 e 1958, com características arquitetónicas do Estado Novo, onde funcionou até 1996 a delegação local do Banco de Portugal.

O espaço foi criado em 1997, assumindo a missão de estudar e divulgar a identidade e o património etnográfico do concelho.

A pintora de 45 anos, que expõe pela primeira vez em Viana do Castelo a convite da galeria de arte da Fundação Caixa Agrícola do Noroeste, disse sentir-se “muito honrada” com o destino que a câmara da capital do Alto Minho vai dar à obra.

“Foi a melhor coisa que me podia ter acontecido. É como se deixasse um bocadinho de mim, aqui (Viana do Castelo) para sempre. Acho que o meu avô ia ficar muito contente”, afirmou Mariana Homem de Mello.

A artista explicou que a família “é natural do Porto, mas com “fortes ligações a Viana do Castelo e ao Minho”.

“Somos do Porto, mas a nossa terra é Viana. O lugar de Cabanas, em Afife, onde o meu avô tinha a casa e escreveu grande parte da sua obra. Moledo, em Caminha, terra da minha mãe. Era aqui que eu passava os três meses de férias de verão. Fui muito feliz e desses tempos guardo as melhores memórias de sempre”, afirmou. 

A pintora explicou que parte da mostra hoje inaugurada, composta por 19 telas, é uma “homenagem” ao avô e, a outra “metade”, apresenta quadros inspirados “nos trajes regionais e no Minho, com toda a sua cor e energia”.

A exposição da neta de Homem de Mello vai estar patente até 27 de setembro na galeria de arte da Fundação Caixa Agrícola do Noroeste.

Mariana Telles da Silva Homem de Mello nasceu no Porto no dia 03 de novembro de 1974, tendo vivido sempre em Lisboa.

Em 1992 frequentou o curso de Desenho da Sociedade Nacional de Belas-Artes de Lisboa e, uns anos mais tarde, em 2008, frequentou um curso de Pintura com a pintora Isabel Contreras Botelho.

De acordo com a informação que consta na página da artista na Internet, Mariana Homem de Mello “pinta e desenha desde sempre”.

“A sua pintura foi, durante os primeiros anos, figurativa e expressionista. Em 2015 iniciou uma nova fase, abstrata, com trabalhos que, em mente, não apresentam nenhuma estética pré-concebida, criando subconscientemente a sua pintura em camadas através de gestos espontâneos e expressivos”, lê-se na publicação.

Os seus quadros, em acrílico, óleo, têmpera e carvão, encontram-se em coleções particulares em vários países.

Está representada na Saatchi Gallery, em Londres e na Artmajeur, em França.

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