U.M.

Bolsa ATLAS PhD Grant atribuída pela primeira vez a investigadora portuguesa

Uma investigadora portuguesa venceu pela primeira vez uma bolsa ‘ATLAS PhD Grant’, permitindo-lhe investigar durante um ano no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), na Suíça, anunciou hoje a Universidade do Minho (UMinho), onde desenvolve o seu trabalho.

A UMinho explica em comunicado que Ana Peixoto, investigadora do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP Minho), e aluna de doutoramento nas universidades do Porto, Aveiro e Minho, está na equipa internacional que “quer aprofundar o conhecimento sobre o ‘quark top’, a partícula fundamental mais pesada que se conhece e que só pode ser criada em aceleradores de partículas” como o do CERN.

O CERN, é o maior acelerador de partículas do mundo, onde se detetou em 2012 o bosão de Higgs, a partícula que confere massa às outras partículas, sendo que a bolsa ‘ATLAS PhD Grant’ visa estimular jovens doutorandos talentosos e motivados na experiência ATLAS, ao permitir-lhes aí trabalhar em estreita colaboração com mais de 3.000 cientistas de 38 países.
“Sabendo que o ‘quark top’ se desintegra quase sempre da mesma forma, a observação de outros tipos de desintegração pode apontar para uma nova física, mudando o modo como deciframos o universo”, refere a Uminho.

A investigadora, explica o texto, “vai focar-se nessas desintegrações raras do ‘quark top’, em concreto nos mecanismos que as poderiam originar e nas suas implicações para o conhecimento das partículas fundamentais”.
Além da análise e da interpretação dos dados, a cientista aproveitará a estadia no CERN para efetuar trabalho técnico no detetor ATLAS.

Nascida em Paredes de Coura há 26 anos, Ana Peixoto fez a licenciatura e o mestrado em Física na UMinho, onde é agora orientada no doutoramento por Nuno Castro, do Departamento de Física.
A ATLAS PhD Grant nasceu em 2013, com Fabiola Gianotti e Peter Jenni, então coordenadores da ATLAS, a doarem para este fim parte do Fundamental Physics Special Breakthrough Prize, que lhes foi atribuído pelo papel de liderança na descoberta do bosão de Higgs.

Sobre a ATLAS PhD Grant

A ATLAS PhD Grant visa estimular jovens doutorandos talentosos e motivados na experiência ATLAS, ao permitir-lhes aí trabalhar em estreita colaboração com mais de 3000 cientistas de 38 países. O prémio nasceu em 2013, com Fabiola Gianotti e Peter Jenni, então coordenadores da ATLAS, a doarem para este fim parte do Fundamental Physics Special Breakthrough Prize, que lhes foi atribuído pelo papel de liderança na descoberta do bosão de Higgs.

Os investigadores portugueses, sobretudo através do LIP e de academias como a Escola de Ciências da UMinho, colaboram no CERN há muitos anos, tendo tido um papel fulcral na construção do calorímetro hadrónico de ATLAS, no sistema de trigger do acelerador CMS, bem como nas medidas de precisão das propriedades do quark top, na descoberta do bosão de Higgs, na primeira observação direta do acoplamento entre aquelas duas partículas e, ainda, na pesquisa de novas partículas elementares.

O CERN possui um túnel circular de 27km e a 100 metros de profundidade, na fronteira franco-suíça. Nesta espécie de “caverna mágica” ocorre um bilião de colisões de protões por segundo, originando uma quantidade imensa de dados que são posteriormente analisados por físicos de todo o mundo.

Fonte: Lusa/U.M.

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