Mais de meia centena de pessoas participaram, hoje, numa vigília promovida pelas 15 trabalhadoras do Centro de Acolhimento Temporário (CAT) para crianças e jovens em risco de Seixas, Caminha, para contestar o anunciado encerramento daquela estrutura.
“Não vamos baixar os braços. Acreditamos que podemos reverter o encerramento anunciado pela Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Viana do Castelo”, afirmou Cândida Falcão.
O encerramento daquele equipamento, conhecido como CAT Benjamim, foi anunciado no início de março pela APPACDM de Viana do Castelo, responsável pela gestão daquela estrutura.
Na altura, em declarações à agência Lusa, o presidente da APPACDM de Viana do Castelo, Luiz Costa, explicou que o CAT Benjamim “é a única resposta da instituição que não é vocacionada para a área da deficiência e que acumulou, desde 2008 um défice crónico, com dívidas superiores a 400 mil euros”.
Adiantou que “as 11 crianças e jovens em risco, atualmente a residir naquele centro vão ser encaminhadas para a resposta mais próxima” e que “algumas das 15 trabalhadoras serão recolocadas noutras respostas que a instituição tem no Alto Minho, sendo que “com outros será negociado o despedimento”, sem especificar o número de trabalhadores naquela situação.
Os participantes na vigília de hoje, que teve início cerca das 19:30 junto ao clube de remo de Caminha e terminou no terreiro daquela vila, onde durante mais de uma hora se fizeram ouvir várias intervenções, empunharam velas e exibiram um cartaz onde se podia ler “Uma comunidade, um lar, uma família”.
No final, em declarações aos jornalistas, a funcionária, de 55 anos, disse “existir força politica e pressão da comunidade” para evitar o encerramento daquela resposta social. Questionada sobre ações futuras a realizar pelas 15 trabalhadoras, Cândida Falcão, funcionária do CAT Benjamim desde 2002, escusou-se a avançar pormenores sobre as iniciativas que estão a ser planeadas.
Presente na iniciativa o presidente da Junta de Freguesia de Seixas, Rui Ramalhosa sublinhou a importância da continuidade da estrutura que funciona há 15 anos na freguesia. “Estas crianças ajudam a garantir o funcionamento escola da freguesia. Permanecem mais do que um ano na instituição e acabam por se integrar na comunidade e também nas escolas”, destacou, lamentando o insucesso das tentativas realizadas para encontrar nova instituição, interessada dar continuidade ao centro.
“Já foi tentando que várias instituições ficassem com o CAT Benjamim, não há vontade. Não possível essa substituição de entidades”, referiu, adiantando que o fecho da estrutura irá ter outras consequências.
“A Casa de São Bento, proprietária do edifício perderá a renda de cerca de 10 mil euros anuais”, disse, garantindo que a autarquia irá “continuar a lutar pelo CAT Benjamim, para que Seixas permaneça com vida e com toda a juventude que beneficia a freguesia”.
Na segunda-feira, o presidente da Câmara de Caminha anunciou a criação, em Vila Praia de Âncora, até final do ano, de um novo Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) com capacidade para 30 utentes.
Miguel Alves revelou que a criação do novo CAO, a instalar numa antiga escola daquela freguesia, resultou de um “entendimento” estabelecido entre o município e a APPACDM de Viana do Castelo, na sequência do anúncio do fecho do CAT, previsto para final de julho.
Adiantou que a nova estrutura “vai ainda permitir absorver todas, ou grande parte” das 15 trabalhadoras do CAT Benjamim, com encerramento previsto para final de julho.
“Estas trabalhadoras iriam entrar numa situação de desemprego se não fosse possível encontrar esta solução”, reforçou, revelando que até à abertura do novo CAO, as funcionárias “terão de ser incorporadas, provisoriamente, noutros equipamentos da APPACDM, no distrito de Viana do Castelo”.
Revelou que as 11 crianças e jovens em risco, atualmente, no CAT Benjamim serão “encaminhadas” para outras estruturas.
Anteriormente à Lusa, Cândida Falcão disse que “uma resposta social não invalida a outra”. “O novo CAO que foi anunciado para Vila Praia de Âncora é uma mais-valia para Caminha que não dispõe de nenhuma resposta na área da deficiência, mas o CAT também deve continuar a funcionar”, afirmou a funcionária.










