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Ano vínico de 2021 no Norte de Portugal foi “desafiante” devido à covid-19 e clima

O ano vínico de 2021 no Norte de Portugal foi “desafiante” devido à covid-19 e às condições climatéricas, mas os produtores que colheram as uvas antes das chuvas têm vinhos de “qualidade extraordinária”, asseguram enólogos e viticultores.

Joana Santiago é produtora de vinho verde da casta Alvarinho na Quinta de Santiago, concelho de Monção (Viana do Castelo), em plena sub-região do Alto Minho, confirma que foi um ano “desafiante”.

“Ao contrário de um ano perfeito, foi um ano fresco, chuvoso, frio (…). Na sub-região de Monção e Melgaço, para a casta Alvarinho ter uma boa maturação, precisamos sempre de dias muito quentes e de noites muito frias. Essa amplitude térmica é uma das condições privilegiadas para a produção do Alvarinho. Contudo, este ano não tivemos isso, porque não houve calor e isso reflete-se nos vinhos”, conta a viticultora.

Sobre a qualidade da produção, Joana Santiago descreve que foi um ano de vinhos com um perfil “mais acídico”, “com menos corpo” devido ao clima, contudo, conta que “facilmente se consegue trabalhar em adega, trabalhando borras finas, dando mais estágio aos vinhos”.

“Nós temos é de trabalhá-los mais em adega de uma forma natural. Temos mais trabalho de casa”, conclui.

Questionada sobre a quantidade, a produtora diz que “foi menor que em 2020”, considerando que as quebras se registaram na generalidade dos produtores de vinhos verdes devido às chuvas.

“Não são quebras dramáticas”, mas rondam uma quebra na ordem dos 20% na Quinta de Santiago, conta, assumindo que a empresa este ano exportou 70% da sua produção.

“Crescemos muito na exportação durante 2020, com a pandemia da covid-19, Em 2021 foi a consolidação de todos esses contactos. Aconteceu algo de inesperado, porque os importadores tiveram tempo para procurar e pesquisar o que queriam conhecer”.