Sérgio Lopes, Gaspar Rego e Leonel Nunes, investigadores da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC), integram a mais recente edição da lista World’s Top 2% Scientists, que reúne alguns dos cientistas e autores mais citados e influentes a nível mundial. Esta classificação é desenvolvida pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em parceria com a editora científica Elsevier.
A lista é elaborada com base em indicadores bibliométricos da base de dados Scopus, uma das maiores plataformas mundiais de resumos e citações de publicações científicas, e procura avaliar o impacto da produção científica dos investigadores nas respetivas áreas de especialização.
Em entrevista à Altominho TV, Sérgio Ivan Lopes (na foto), de 47 anos, encara esta distinção como o reconhecimento de um percurso construído ao longo de vários anos, sem lhe atribuir um significado excessivo.
“Isto não surge do vácuo. É um acumular da atividade ao longo da vida e depois há um momento em que, de certa forma, acaba por ser reconhecida, com a integração nesta lista, mas também não é mais do que isso”, afirma.
O investigador admite, contudo, que a distinção tem um significado pessoal, sobretudo pelo esforço e pela dedicação exigidos pela carreira científica.
“Este caminho, o tempo investido, as noites tiradas, os dias que tirámos à família ao longo do processo, pelo menos acabam por ter o seu reconhecimento e um sentido. É um sabor adocicado para um dia. Amanhã será outro. Mas sim, no final do dia, sabe bem”, acrescenta.
Sistemas ciberfísicos no centro da investigação
O reconhecimento está associado ao trabalho desenvolvido por Sérgio Ivan Lopes na área dos sistemas ciberfísicos, que permitem integrar tecnologias digitais, comunicação e mecanismos de controlo em processos industriais ou na gestão de infraestruturas urbanas.
Na prática, estes sistemas possibilitam que diferentes dispositivos recolham e processem informação, tomem decisões e atuem de forma autónoma ou coordenada, contribuindo para melhorar o funcionamento de processos produtivos.
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“Uma das aplicações dos sistemas ciberfísicos industriais é que cada elemento que está no sistema produtivo pode ser visto como um agente que pode ter capacidade de recolher informação, processá-la localmente, atuar localmente ou atuar de forma orquestrada, com agentes que coordenam estes dispositivos para que eles possam cumprir os objetivos”, explica.
Inteligência artificial e o futuro do trabalho
Questionado sobre a evolução da inteligência artificial (IA) e o seu potencial impacto no emprego, o investigador considera que a automatização de tarefas repetitivas não é um fenómeno novo. O desafio, defende, passa por desenvolver sistemas que coloquem as pessoas no centro dos processos produtivos.
“As tarefas que são repetitivas e não trazem valor, naturalmente serão automatizadas, mas isso já acontece desde os anos 70”, sublinha.
Sérgio Ivan Lopes destaca, neste contexto, o paradigma da Indústria 5.0, orientado para sistemas de produção centrados no ser humano e capazes de reduzir a intervenção humana em tarefas de menor valor acrescentado.
O investigador identifica três dimensões fundamentais nos sistemas ciberfísicos: a computação distribuída, que permite processar informação em diferentes pontos do sistema; a comunicação, necessária para transmitir os dados recolhidos; e o controlo, que possibilita a atuação sobre os processos.
“Um sistema ciberfísico só faz sentido se houver um controlo. Esta é a área que tenho vindo a trabalhar”, conclui.
Um percurso ligado à investigação e à inovação
Natural de Aveiro, Sérgio Ivan Lopes está ligado a Viana do Castelo desde 2011. É professor coordenador na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPVC e diretor-geral do CiTin — Centro de Interface Tecnológico Industrial. É também investigador integrado no ADiT-Lab — Applied Digital Transformation Laboratory e investigador no Instituto de Telecomunicações.
No IPVC, coordena a licenciatura em Engenharia de Redes e Sistemas de Computadores e o mestrado em Eletrónica e Eletrificação Automóvel.
Licenciado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações, mestre em Engenharia Biomédica e doutorado em Engenharia Eletrotécnica pela Universidade de Aveiro, possui ainda uma pós-graduação em Gestão de Projetos pela Porto Business School, da Universidade do Porto.
Ao longo do percurso, recebeu, entre outras distinções, o prémio Texas Instruments ESPA — Excelência em Processamento de Sinais, em 2007, e o primeiro prémio do Fraunhofer Portugal Challenge, na categoria de doutoramento, em 2015.
Com colaboração em projetos de investigação e desenvolvimento desde 2005, é coautor de mais de 150 publicações científicas. Participa ainda na avaliação de projetos de investigação e desenvolvimento para entidades nacionais e internacionais, incluindo a Comissão Europeia, e integra a Ordem dos Engenheiros e o IEEE, associação internacional dedicada às áreas da engenharia e tecnologia.
Foto: Altominho TV









